Novas Centrais de Flagrantes
   Flávio  Saraiva  │     23 de maio de 2017   │     13:05  │  0

Fonte: Ascom/PCAL

Recordo-me que no inicio do novo milênio acompanhava atentamente a apresentação do então diretor de polícia, Delegado Robervaldo Davino, apresentando em PowerPoint o plano de operações para o Carnaval com efeitos sonoros que simulavam disparos de arma de fogo a cada novo slide.

O plano operacional muito bem elaborado e adequado àquele momento continua sendo repetido ano a ano sem modificações, mudam apenas os nomes da equipes e dos gestores policiais. O mesmo acontece com o plano de operações para as eleições majoritárias, repetido desde os anos 80, aí incluída a solicitação por empréstimo de viaturas de outros órgãos do governo, época em que a polícia ainda não tinha frota suficiente.

Faço essa introdução, para tratar da instalação de novas Centrais de Flagrantes com a nova (velha) jornada plantonista das equipes policiais e da nota do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil – SINDEPOL publicada neste portal de notícias. A entidade classista fez breve levantamento dos dados de produção das novas centrais comparando-os com os da Central de Flagrantes instalada no bairro do Farol há anos.

Os números iniciais da experiência inovadora – número reduzido de flagrantes e de boletins de ocorrência – contraindicam a instalação das novas Centrais, até porque a nova (velha) jornada plantonista de 24 horas gera a necessária folga de 72 horas, com flagrante prejuízo ao atendimento policial. Não acredito na jornada de 24 horas, principalmente na tensa ambientação policial com a custódia de presos, onde não há a possibilidade de breves descansos.

Outro flagrante prejuízo é na condução das investigações e no atendimento ao público nas delegacias onde estão lotadas as novas equipes plantonistas, ou seja, distritais e especializadas fecham as portas nas 72 horas de folga regulamentar.

Se a gestão policial tivesse os números da produção policial nas delegacias poderia ter avaliado as vantagens e desvantagens com a experiência inovadora, quantificando ganhos e perdas. Mas a polícia não possui indicadores de produtividade, quando muito, enfia goela abaixo cumprimento de metas de confecção de procedimentos sem avaliar as individualidades do ambiente de produção.

O SINDEPOL tem reunião agendada com o Delegado Geral de Polícia Civil, Paulo Cerqueira, “para apresentar os dados estatísticos sobre a inviabilidade das Centrais de Flagrantes abertas excepcionalmente aos sábados e domingos por 24 horas”; que venham boas novidades.

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