Relatos de guerra
   Flávio  Saraiva  │     3 de maio de 2017   │     20:37  │  0

A operação realizada pela polícia militar do Rio de Janeiro na terça-feira (02/05), que resultou na apreensão de 32 fuzis, mostrou como é desenvolvida a guerra diária com os traficantes de drogas, principalmente o poderio bélico das organizações criminosas. Com o valor médio de R$ 50 mil para cada fuzil, estima-se que a facção atingida com a operação tenha sofrido um prejuízo patrimonial na ordem de R$ 1,6 milhão, mostrando também o seu poder econômico.

A bem sucedida operação policial teve seus resultados diminuídos por estudiosos, dimensionando-os como um “baque momentâneo” que será rapidamente superado pelos traficantes com a prática de mais crimes.

Os criminosos reagiram com a queima de nove ônibus e dois caminhões em grandes vias, dificultando a mobilidade das forças policiais e a possibilidade de mais prisões e apreensões. Imagens aéreas mostravam algo semelhante aos efeitos de um bombardeio, com colunas de fumaça espalhadas pela cidade.

Bandidos menos organizados aproveitaram a confusão no cenário de guerra e praticaram saques em caminhões de carga, atacaram ocupantes de veículos, lojas comerciais, ajudaram a pôr mais fogo
nos ônibus com queima iniciada e muita correria de grupos com todo tipo de gente. Um motorista desesperado passou pela multidão atirando para cima, uma forma de autodefesa, imagina-se.

Nessa guerra já morreram mais de 60 policiais militares, mas, como é polícia, não causa muita comoção, não há acompanhamento pela mídia do funeral desses combatentes, as autoridades de governo não comparecem, organizações protetoras dos direitos humanos não cobram providências do estado e a repercussão não passa das 24 horas.

São relatos de uma guerra que se espalha pelo país.

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