A opção pelo crime
   Flávio  Saraiva  │     22 de março de 2017   │     15:30  │  0

OPÇÃO PELO CRIMEDesenvolvendo a atividade de consultor de segurança em empresas, tenho observado com preocupação a opção dos jovens pelo crime. Eles ingressam no mercado de trabalho com muita dificuldade, mais das vezes em razão da pouca ou nenhuma experiência profissional, bem assim, pela deficiente formação educacional.

Quando o Brasil vivia o momento da grande oferta de empregos, esses jovens tinham breves passagens pelas empresas, principalmente na área da construção civil, comércio e serviços não especializados. Era muita oferta de emprego seguida de seguro desemprego, provocando grande rotatividade nas empresas.

Naquele momento, muitas empresas negligenciaram nos procedimentos de contratação e no acompanhamento desses novos colaboradores, modificando o ambiente de trabalho com os frequentes registros de uso de drogas, furtos de materiais, furtos de dados, ameaças etc.

O quadro poderia levar à conclusão de que os jovens optavam pelo crime no ambiente de trabalho em razão da facilidade de conseguir o próximo emprego e pela fragilidade na segurança das empresas.

A ambientação mudou, o país entrou em grave crise econômica que provocou o fechamento de muitas empresas; as que continuaram funcionando reduziram quadros, jornada de trabalho, concederam férias coletivas etc., tendo como resultado o assombroso número de 12 milhões de desempregados.

Com a pouca oferta de emprego, grande parte desses 12 milhões perambula nas portas de empresas apresentando currículos que pouco passam dos dados pessoais e as breves passagens nos empregos anteriores. Novo tempo, as empresas puderam melhorar o processo de seleção dos novos colaboradores e exigir mais dos antigos.

Essa nova fase sugeria que os jovens tivessem mais cuidado com a manutenção do emprego, mas não é o que acontece, e os problemas com a segurança permanecem com a continuidade dos mesmos delitos. A opção pelo crime tem muitas justificativas – a demora para conseguir o emprego, baixo salário, lentidão no processo de ascensão na empresa, preterição nas escolhas, enfim, qualquer dificuldade se transforma no gatilho para a ilegalidade.

O que impressiona é a pretensa naturalidade e legitimidade para a escolha, transformando e qualificando a geração que nem estuda, nem trabalha (nem, nem) – nem estuda, nem trabalha, mas comete crimes.

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