Forças Armadas nos presídios
   Flávio  Saraiva  │     24 de janeiro de 2017   │     9:34  │  0

images-11A decisão do presidente Temer em empregar as Forças Armadas para realizar varreduras nos presídios tem recebido muitas críticas, maioria delas, argumentada no fato de que são preparadas para a guerra, portanto, temerário o contato com presos rebelados.

O fato é que o próprio ministro da Defesa, Raul Jungmann, diante do temor dos cuidadosos especialistas, afirmou que o papel do Exército, principalmente, seria a varredura em busca de aparelhos de rádio comunicação, armamentos e explosivos enterrados no interior das unidades prisionais, sem nenhuma possibilidade de contato com os presos.

As críticas continuam, Elio Gaspari, colunista da Folha de São Folha, ironiza a decisão do presidente: “Só a proximidade do Carnaval pode explicar o gesto espetacular e “ousado” de Michel Temer de quarta-feira (18), colocando as Forças Armadas na frigideira das penitenciárias estaduais. Segundo o próprio governo, os militares revistarão celas, mas não terão contato com os presos. Falta combinar com os detentos, para que eles deixem celulares, armas e drogas sobre as camas na hora dessa inspeção”.

Essas mesmas Forças Armadas têm sido requisitadas e empregadas em eleições nacionais, na construção de rodovias, como força de paz no exterior, resgates de sobreviventes e distribuição de mantimentos em calamidades públicas, campanhas de vacinação, ocupação em áreas dominadas por narcotraficantes, segurança de grandes eventos e muito mais. No caso das eleições, a presença do Exército é festejada como a grande responsável da tranquilidade do pleito, estampada nas primeiras páginas de jornais e   portais de notícias; protagonismo que considero bastante discutível.

O Exército possui unidades especializadas em comunicações, é quem controla o uso de explosivos no país, sendo capaz de identificar a origem desses produtos nas investigações de uso criminoso; mas, o discurso dos especialistas é de que está preparado apenas para a guerra, alguns são mais diretos, é treinado para matar.

Considero de cuidado exagerado o posicionamento dos críticos com o trabalho das Forças Armadas nos presídios, até porque não há registros de excessos na ocupação das comunidades cariocas, antes dominadas por traficantes, que foram contempladas com as Unidades de Polícia Pacificadora – UPPs; missão de grau de complexidade maior que a varredura em área confinada por muros altos e público bem menor.

Será preconceito ideológico?

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