Enxugando o gelo do tráfico
   Flávio  Saraiva  │     22 de dezembro de 2016   │     18:39  │  0

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Foto: Pedro Melo

Em entrevista publicada na Gazeta de Alagoas do final de semana (10 e 11/12), os delegados de polícia Rodrigo Sarmento (civil) e André Costa (federal) afirmavam que prender pequenos traficantes e “não conseguir atingir o chefe do tráfico, o cabeça, é como enxugar gelo”. Sarmento, juntamente com Gustavo Henrique, comandam a Delegacia de Repressão ao Narcotráfico; Costa é superintendente-adjunto da Polícia Federal em Alagoas.

De janeiro a novembro deste ano foram presas cerca de 1.900 pessoas envolvidas com o narcotráfico e quantidades expressivas de drogas apreendidas, significando a “parte do gelo enxugada”.

Os delegados, com formação em inteligência, sabem da dificuldade em conseguir identificar e prender os “chefões” do tráfico; sabem, também, que quando presos, continuam comandando o negócio criminoso de dentro do presídio.

Passados dez dias da publicação da entrevista, os delegados da polícia civil apresentaram o resultado de persistente trabalho de inteligência – a prisão de quatro traficantes e a apreensão de 20 quilos de crack e 4,5 quilos de cocaína. Trata-se da maior apreensão de crack no Estado, representando prejuízo ao negócio criminoso na ordem de R$ 500 mil, segundo a polícia. Entre os presos, “Val Arapiraca”, considerado como um dos 15 maiores traficantes de Alagoas.

A importância dessa apreensão pode ser melhor dimensionada quando se sabe que essa quantidade de drogas seria fracionada em progressão geométrica, distribuída entre pequenos traficantes que mais facilmente são presos, que irão superlotar presídios, que logo serão soltos para novamente voltar ao início do ciclo.

Deve ser considerada a importância da apreensão na redução de homicídios que são motivados pela disputa de territórios entre traficantes e na relação destes com usuários devedores. Outro fato também relevante é a diminuição do custo financeiro do Estado no acompanhamento da dinâmica desse ciclo.

O passo seguinte é conseguir a indisponibilidade do patrimônio dos traficantes, dificultando a capacidade de reorganização e volta deles às atividades com mais força para recuperar prejuízos.

O trabalho persistente da equipe da Repressão ao Narcotráfico pode ter encontrado a “ponta do iceberg”.

 

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