Racha na irmandade do crime
   Flávio  Saraiva  │     5 de dezembro de 2016   │     21:22  │  0

size_960_16_9_detentos-em-rebeliao-em-cascavel6Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), as duas maiores facções criminosas que comandam os presídios brasileiros, estão em guerra declarada, rachando o que seria a “Irmandade do Crime” – denominação que deu título ao livro de Carlos Amorim, publicado pela editora Record.

O racha tem origem no surgimento de outras facções criminosas em presídios do Norte e Nordeste apoiadas pelo Comando Vermelho, a exemplo da Facção Família do Norte (FDN) no Amazonas e embriões de outras facções que começam a aparecer no Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte, pulverizando o poder do PCC no sistema penitenciário nacional.

Diante dessa ameaça o PCC contra-ataca fazendo recrutamento de forma direta nos presídios, prometendo privilégios aos novos filiados e “carreira” segura no crime. O plano inclui dominar o tráfico no Rio de Janeiro e administrar a guerra entre as facções cariocas – Terceiro Comando (TC), Terceiro Comando Puro (TCP), Amigos dos Amigos (ADA) e Comando Vermelho, conflito que gera muitos homicídios e insegurança para o negócio. Índices elevados de homicídios provocam reação do Estado respondendo com operações policiais de grande envergadura e ocupação de território dominado pelo crime; exemplo disso é a criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Em São Paulo, onde o PCC atua de forma soberana, sem grandes conflitos por territórios, a facção faz questão de afirmar que a gestão da segurança de seu negócio contribui de forma decisiva para a redução dos índices de homicídio no Estado.

A busca do PCC pelo monopólio do crime nos presídios tem gerado conflitos intramuros onde presos matam rivais de outras facções em violentas rebeliões, como já ocorreu em Rondônia e Maranhão, com cabeças decepadas sendo chutadas pelos criminosos vitoriosos como se estivessem num “rachão” de futebol. Essa guerra, de consequências imprevisíveis, pode chegar às ruas e outras cabeças podem rolar.

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