Delegados decidem não decidir
   Flávio  Saraiva  │     29 de novembro de 2016   │     16:29  │  0

Unknown-3Ontem (28/11), em assembleia convocada e previamente agendada pelo presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil de Alagoas, Delegado Mário Jorge Barros, fora decidido conceder mais prazo ao governo para o possível atendimento das reivindicações da classe, elencadas em post anterior neste blog, a saber: o cumprimento da emenda constitucional que os inclui o Delegado de Polícia na carreira jurídica, aumento de 15% nos salários, pagamento dos plantões e horas extras, gratificação pelo acúmulo de delegacias, retirada dos presos das delegacias, recebimento de presos nas centrais de flagrantes até o limite determinado, auxílio moradia e o aumento do salário do governador que serve de teto para o executivo.

Os delegados de polícia pretendem ainda mostrar ao governo em que condições estão trabalhando, enfrentando sucessivas jornadas plantonistas de 24 horas que não são remuneradas em razão da limitação do pagamento de apenas oito plantões por mês, mesmo que tendo trabalhado mais.

A classe reivindica uma solução para o eterno problema da permanência de presos nas delegacias por falta de vagas no sistema penitenciário, que causa insegurança no ambiente de trabalho pela constante ameaça de rebeliões e fugas, além do flagrante desvio de função de policiais que deveriam estar nas ruas investigando.

Outro ponto bastante discutido é a exaustiva jornada de trabalho a que o delegado de polícia está submetido, que muito ultrapassa as 40 horas semanais previstas, contrariando a equivocada visão do governo ao considerar que “delegado ganha muito e trabalha pouco”.

Após duas semanas, período em que se imaginavam avanços nas negociações, nada de concreto fora apresentado aos delegados, frustrando até os mais pessimistas em suas expectativas. Sem nenhuma pretensão de fazer a crítica pela crítica, nem mesmo pretendendo sê-la, a classe carece de liderança com vocação classista e sem projetos pessoais de carreira conflitantes; não há como conciliá-los.

A classe possui lideranças políticas atuantes e, portanto, destacadas, mas com pouca contribuição nas questões classistas, apenas influenciam decisivamente no processo eleitoral da entidade.

Assim estão os delegados de polícia, comandando uma polícia que definha com o passar do tempo, tendo apenas 30% do efetivo necessário, sendo cada vez mais pressionados para o cumprimento de metas sem a contrapartida devida.

Alguém, com visão seletiva e direcionada, poderá identificar delegados de polícia que não seriam os melhores exemplos de dedicação ao trabalho e que deveriam ser alvo da Corregedoria de Polícia, mas, a grande maioria trabalha muito administrando cárceres inseguros, efetivo reduzido, instalações físicas inadequadas e incompreensões de gestores.

Ao fim da assembleia o clima era de desânimo, ao imaginar que na próxima reunião classista venha mais uma proposta de mais prazo e uma nova decisão de não decidir em que rumo a classe seguirá.

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