Empoderamento de presos
   Flávio  Saraiva  │     1 de novembro de 2016   │     10:51  │  0

EMPODERAMENTO DE PRESOS“Nos anos 1970 durante a ditadura militar presos comuns e presos políticos foram encarcerados numa mesma galeria no Instituto Penal Cândido Mendes, conhecido como “caldeirão do diabo”. Situado na Ilha Grande essa penitenciária foi palco de diversos conflitos (…) Lá surgiu a primeira facção criminosa do país: o Comando Vermelho, que era inicialmente um confronto dos presos comuns face ao brutal sistema carcerário e as sangrentas disputas entre detentos isolados do continente, numa ilha “onde o filho chora e a mãe não vê” eles cunharam o lema “paz, justiça e liberdade” (…) A qualquer preço”.

Assim começa a apresentação do filme brasileiro “400 contra 1 – Uma História do Crime Organizado”, dirigido por Caco Souza, lançado em 2010.

O movimento que surgiu como forma de sobrevivência numa prisão isolada no Rio de Janeiro evoluiu para formação de uma facão criminosa que se espalhou pelo país, mudando a forma de convivência entre os presos e o estado. Percebendo o poder que tinham, e não exercitavam, os presos começaram a influenciar na administração do cárcere e a comandar crimes cometidos fora das muralhas.

Criminosos comuns que entravam no sistema penitenciário tinham a partir dali a possibilidade de pertencer a uma organização criminosa que lhe garantia direitos na prisão e melhores oportunidades quando liberados.

Em maio de 2006, a capital paulista foi surpreendida com uma onda de ataques comandados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) – facção criminosa que domina os presídios do país, contra policiais, bombeiros, agentes penitenciários e guardas municipais. Testemunhei esse momento de terror, a cidade paralisada, bases policiais protegidas por barricadas e um número impreciso de vítimas que varia entra 264 e 600 mortes.

Há informes não confirmados de que o governo paulista teria negociado uma trégua com a liderança da facção criminosa, finalizando a série de ataques e rebeliões nos presídios do estado.

O interessante livro de Carlos Amorim – “CV_PCC A Irmandade do Crime” mostra bem a origem dessa poderosa associação criminosa no domínio do cárcere brasileiro, recrutando presos comuns que, sob rígido estatuto, são doutrinados e treinados para cometer mais crimes quando soltos.

Para quem acompanha e monitora presos no sistema penitenciário sabe que para um grande número deles a prisão não é mais um castigo ou momento para arrependimento, mas sim uma grande chance de ingresso em organização criminosa.

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