CONSEG analisa crescimento de homicídios
   Flávio  Saraiva  │     22 de agosto de 2016   │     7:04  │  0

images-17O Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg) discute nesta segunda-feira (22/08) o aumento no número de homicídios registrados em Maceió no mês de julho passado. A base de comparação é a série histórica dos homicídios para o mesmo mês nos anos de 2013 a 2015.

O vice-presidente do Conseg, Cacá Gouveia, leva para a reunião algumas possíveis causas para o aumento no número dos homicídios, a saber: 1 – saída das equipes da Força Nacional; 2 – proximidade das eleições; 3 – influência do narcotráfico; 4 – ações nos presídios.

Das hipóteses levantadas por Cacá Gouveia, não vejo a saída da Força Nacional como relevante; o período eleitoral, com definição recente de candidatos e poucos recursos financeiros não empolga a ponto de acirrar ânimos de cabos eleitorais e eleitores que levem à prática de muitos homicídios; as outras duas hipóteses são relevantes, mas, sem novidades. O que pode ocorrer de novo é a formulação de estratégias para o efetivo combate, devendo considerar outras variáveis relacionadas a elas – sistema penitenciário e tráfico de drogas que, a rigor, estão muito relacionadas.

Mesmo com o abrandamento da lei para os usuários de drogas, que significou redução no números de prisões, a polícia continua prendendo muitos criminosos que têm relação com o narcotráfico, sendo comum a apresentação de integrantes de quadrilhas que são desarticuladas em determinadas regiões da Capital. O resultado da desarticulação é bom, mas breve, em razão das facilidades de comunicação dos presos com o mundo externo e o pouco tempo no cárcere, formando intenso turnover, termo inglês usado para designar a rotatividade de pessoal em uma organização, ou seja, as entradas e saídas de funcionários em determinado período de tempo.

Importante saber o tempo médio de permanência na cadeia, é bem possível que haja alguma relação com o período de redução nos homicídios, basta analisar as estatísticas, acompanhar a liberação dos presos, identificar a região geográfica de domínio, resultados preliminares de investigações em curso e comparar os dados.

Importante, também, analisar os primeiros resultados das audiências de custódia, procedimento em que são consideradas as circunstâncias autorizadoras das prisões e a necessidade de envio do preso para o sistema penitenciário. Com as casas de custódia superlotadas e a falta de vagas nos presídios, a liberdade provisória de presos é a forma de administrar a superlotação.

Cacá Gouveia, afirmou para este portal de notícias que o secretário de Segurança Pública, coronel Lima Júnior, tem total capacidade para reverter a situação. “Ele é um servidor altamente capaz para a pasta. Temos total confiança no trabalho que é desenvolvido pela SSP”. Concordo plenamente, apenas acrescentando que o problema não é só de polícia.

Tags:, , , ,

>Link  

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *