Criminosos e explosivos
   Flávio  Saraiva  │     11 de julho de 2016   │     11:40  │  0

images-19Mesmo repetidas em muitos países, as ações criminosas com uso de explosivos chocam o mundo pelo alto poder de destruição e mortes, geralmente motivadas por questões religiosas e políticas. Prédios destruídos, veículos queimados e pessoas com feições de horror compõem a imagem que logo é associada à cidade vitimada.

No Brasil, criminosos comuns e organizados observaram que poderiam usar explosivos para romper obstáculos de proteção aos valores depositados em caixas eletrônicos espalhados em pontos comerciais e logradouros públicos. Assim, os ataques a caixas eletrônicos multiplicaram-se pelo país, rendendo a quantia em dinheiro depositada na máquina violada, que variava de acordo com a movimentação no ponto de autoatendimento.

A flagrante evolução, quando comparada ao arrombamento com o uso de maçarico, não contentava os criminosos que logo vislumbraram que o uso de mais explosivos, armas pesadas e mais mão de obra barata e disponível, poderiam atacar pequenas cidades interioranas e arrombar as agências bancárias ali instaladas. Assim aconteceu.

As imagens de pessoas tomadas como reféns, sem camisas, enfileiradas nas portas das agências bancárias, presas no capô dos carros servindo de escudos, policiais encurralados, viaturas e prédios atingidos por rajadas de tiros, passaram a fazer parte do noticiário nacional. Como essas ações ocorriam com mais frequência na região Nordeste, a nova modalidade criminosa fora denominada de novo cangaço, em razão da semelhança com o modus operandi dos bandos comandados por Virgulino Lampião.

O desejo criminoso não tem limites, vendo que os rendimentos aumentaram com as explosões de muitos caixas eletrônicos instalados dentro das agências bancárias, os criminosos resolveram dar mais um passo, buscar o dinheiro nas centrais de abastecimento delas – as bases fortes das empresas transportadoras de valores. Com isso, mudou também o cenário; instaladas nas capitais e grandes centros urbanos, as bases fortes exigiam ações mais ousadas.

Diante da grande possibilidade de enfrentamento com guarnições policiais mais numerosas, osbandido_atira criminosos evoluíram na estratégia para garantir o sucesso da operação, para isso formam perímetro de segurança incendiando veículos, atiram em transformadores de corrente para cortar o fornecimento de energia elétrica da localidade e distribuem equipes armadas e motorizadas para impedir a passagem de viaturas policiais. Depois, seguem as explosões que danificam o prédio alvo e seus vizinhos.

Esse novo cenário – carros fortes queimados, imensos buracos nas paredes dos prédios, estojos de munições de grosso calibre espalhados pelo chão, pessoas assustadas e intenso tiroteio unilateral – é captado pelas câmeras dos smartfones e reproduzido nos telejornais, logo associado a atos de terrorismo e guerra civil.

Por enquanto a evolução tem ocorrido no sentido de subtrair maiores quantidades em dinheiro, no momento em que esses criminosos entenderem ser capazes de construir uma organização com fins políticos e ideológicos, com grande apelo para recrutamento de jovens, esse país nunca mais será o mesmo.

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