Guerra interna
   Flávio  Saraiva  │     27 de junho de 2016   │     14:10  │  0

images-17Escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, a cidade do Rio de Janeiro tem apresentado problemas que põem em risco o bom andamento do maior evento esportivo do mundo – estado de calamidade nas finanças públicas, atraso na entrega das obras, poluição do mar, desabamento da ciclovia, surto de zika vírus e a violência urbana.

Ao sediar grandes eventos internacionais – Jogos Panamericanos, Jornada da Juventude com a visita do Papa Francisco, Copa das Confederações e Copa do Mundo, o Rio de Janeiro recebeu grandes investimentos na segurança pública, aplicados na inteligência policial, equipamentos, aumento de efetivo e a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), sempre precedida de grandes operações policiais integradas para a retomada do território ocupado por traficantes de drogas.

A ocupação do Morro do Alemão parecia ser o marco desse novo momento da segurança pública no Rio de Janeiro – prisão dos chefões do tráfico, grandes apreensões de armas e drogas, queda nos índices de homicídios. Mas, o desaparecimento do servente de pedreiro Amarildo, depois de preso numa UPP, estabeleceu outro marco, a descrença no novo modelo de policiamento e sucessivos ataques a suas bases ordenados por traficantes que iniciaram o processo de retomada do território perdido.

As imagens aéreas no Alemão de traficantes armados com fuzis fugindo da polícia deram lugar a cenas captadas pelas câmeras da Central do Brasil mostrando criminosos desfilando com o mesmo tipo de armamento, desafiando as autoridades policiais instaladas ali bem perto. Nas grandes vias de escoamento da cidade – Linha Amarela e Linha Vermelha, os casos de tentativas de assalto com resultado morte têm aumentado e causam grande repercussão. No sábado 27/06, na Linha Vermelha, a médica Gisele Palhares Gouvêa, de 34 anos, foi morta com dois tiros na cabeça por não atender ao comando de parada determinado por assaltantes. No mesmo dia e mesma via, em local próximo, o policial militar Denilson Theodoro de Souza, de 48 anos, segurança do prefeito da cidade, Eduardo Paes, morreu baleado trocando tiros com assaltantes.

Início do mês passado, quando pretendia surpreender a mãe em sua data comemorativa, a estudante Ana Beatriz Frade, de 17 anos, foi morta com um tiro durante arrastão próximo à Linha Amarela.

A sequência de fatos negativos fez o secretário José Mariano Beltrame afirmar que está “enxugando gelo”, expressão que indica reconhecer a pouca efetividade da política de segurança desenvolvida pelo Estado do Rio de Janeiro.

A concordância com a afirmação de Beltrame é notada nas redes sociais, com os protestos de familiares e amigos da médica Gisele: “Não é possível que tenhamos que andar com carros blindados no Rio de Janeiro” (…) “Essa jovem mulher profissional cheia de sonhos e projetos se foi hoje vitima de assalto no Rio de Janeiro! O Rio não é um bom lugar p se viver; p se passear; p trabalhar! O Rio é dos bandidos!!! A violência tomou conta da cidade e cada dia tenho menos vontade de estar na capital…”.

No Bom Dia Brasil, edição de 27/06, instado a comentar a violência no Rio de Janeiro, Alexandre Garcia faz um desabafo definitivo afirmando que o Brasil vive uma guerra interna onde o direito à vida perdeu valor, realidade que parece ficção de terror, onde a lei fraca enfrenta foras da lei; finaliza dizendo que o país precisa de uma Operação Lava à Jato geral nas leis, na justiça e na segurança pública para recuperar valores humanos e proteger a vida.

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