Heróis incompreendidos
   Flávio  Saraiva  │     22 de junho de 2016   │     8:58  │  0

images-16Na noite de domingo (19/06), região do Morumbi, São Paulo, peritos realizaram a reprodução simulada dos fatos que culminaram com a morte do menino Ítalo, 11 anos de idade, atingido com um disparo de arma de fogo realizado por policial militar que o perseguia conduzindo o veículo que havia furtado de um condomínio de apartamentos.

A reprodução simulada, sem laudo ainda concluso, aponta que ocorreram disparos vindos do interior do veículo furtado, possivelmente realizados por Ítalo que apresentava resíduo de pólvora na mão.

A boa novidade é que moradores da região, que acompanhavam o trabalho dos peritos, manifestaram apoio aos policiais ao gritar “heróis”, “polícia, polícia”. Entrevistada pela Folha de São Paulo, uma moradora assim se expressou: “Eles são os nossos heróis. Nosso bairro não é fácil, e eles fazem um trabalho excepcional. A polícia se uniu a nós e nós a eles. O que aconteceu foi uma infelicidade. Os policiais não tiveram culpa. Não foi uma execução”.

Ressalto a importância dessa boa novidade em razão da incompreensão com a atuação de policiais brasileiros em confrontos com pessoas armadas que são vitimadas, sendo logo afastados das ruas, mais das vezes impedidos de usar arma da corporação, ou seja, condenação sem direito de defesa.

Há quem não apoie a ação policial aplaudida por muitos, afirmando que os aplausos são de uma “minoria que diz representar todo o Morumbi” (…) “Os problemas de segurança do Morumbi vão se resolver com a diminuição da desigualdade gritante no bairro e com polícia comunitária e cidadã, não com segurança privada armada e polícia violenta que mata primeiro e pergunta depois”.

Em Orlando/EUA, um atirador solitário matou 49 pessoas e feriu outras 53 que estavam no interior de uma boate, tragédia que chocou o mundo e provocou repetida discussão sobre a venda de armas de fogo e monitoramento de pessoas suspeitas de integrar grupos terroristas. Depois de fracassadas as negociações objetivando a rendição do atirador, a polícia americana resolveu resgatar os reféns; missão cumprida com a neutralização da ameaça após a entrada de equipe tática com uso de explosivos. Apesar do grande número de vítimas, em nenhum momento fora questionada a ação policial, o foco foi direcionado para o criminoso, buscando identificá-lo e analisar as circunstâncias e suas motivações à prática criminosa.

Os mesmos especialistas brasileiros que analisam os confrontos entre policiais e criminosos no Brasil não apresentaram nenhum comentário sobre a ação dos policiais americanos em Orlando/EUA. Tragédia dessa magnitude no Brasil teria outro foco, discutir a atuação policial, a negociação, quem teria dado o comando para o resgate de reféns, a preparação dos policiais, os equipamentos usados, o uso de explosivos, os nomes dos integrantes do grupo e consequente afastamento até o término das investigações.

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