Pouca idade e muita periculosidade
   Flávio  Saraiva  │     14 de junho de 2016   │     17:46  │  0

images-15Em 02/06, o menino de 10 anos Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira, acompanhado de um amigo menor de 11 anos, teria planejado entrar em um dos apartamentos de um condomínio em bairro nobre de São Paulo/SP, matar o residente e ali passar a noite, mas, ao encontrar um veículo na garagem com as chaves na ignição resolveu furtá-lo e sair do prédio. Na saída, sua forma de conduzir o veículo chamou a atenção de policiais que iniciaram a perseguição e anunciaram a abordagem, sendo surpreendidos com tiros vindos do carro que logo depois bateu na traseira de um caminhão. Os policiais se aproximaram do carro suspeito que tinha os vidros escurecidos por insufilm e ocorreu o disparo que atingiu a cabeça do condutor – o menino Ítalo, que morrera no local.

Ítalo, que antes perambulava pelas ruas e com várias passagens por delegacias e abrigos pela prática de furtos, só chamava a atenção de suas vítimas e dos agentes públicos; agora é destinatário de preocupações de entidades e pessoas que costumam chegar atrasadas para cuidar da prevenção das tragédias anunciadas. A preocupação maior é apontar um culpado e expô-lo à execração, de preferência agente da segurança pública ou privada.

Na mão de Ítalo foram encontrados resíduos de pólvora indicando que teria feito disparos com arma de fogo, provavelmente, a mesma encontrada no interior do veículo furtado. A evidência frustrou os acusadores que logo se preocuparam em desvalorizá-la; seria melhor que as mãos do menino estivessem limpas, condição que abriria as portas da cadeia para os policiais.

O menino de 11 anos que estava com Ítalo no carro furtado saiu da delegacia de polícia tentando acompanhar os passos apressados da mãe que lhe dava as costas; não vi e nem soube que alguém mais o teria acompanhado ou se preocupado com a proteção e o futuro dele. Está vivo.

Esses meninos que furtam, roubam, estupram e matam recebem atenção quando são vitimados, não há repercussão das rebeliões e fugas constantes nas unidades de internação que deixam rastros de destruição e agentes públicos feridos. Acompanhando os métodos de seus mentores maiores, os menores têm sido resgatados das unidades de internação por grupos formados por adolescentes portando armas longas e farta munição.

Notícias de estupros coletivos com a participação de adolescentes vem se multiplicando pelo país, números que assustam, pois sabe-se que um percentual muito pequeno chega ao conhecimento da polícia. Grupos criminosos organizados investem nessa mão de obra barata, disponível e inimputável, recrutando diretamente nas camadas sociais menos favorecidas, ofertando o glamour da vida bandida com armas de fogo, dinheiro fácil, drogas e sexo.

Infelizmente, constata-se que os meninos e meninas de pouca idade avançam no banditismo com mais periculosidade, enquanto a discussão sobre redução da maioridade penal ou mesmo mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) parece não merecer prioridade.

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