Novo Cangaço
   Flávio  Saraiva  │     29 de maio de 2016   │     15:06  │  1

Fonte: SSP-PI. Arsenal do Novo Cangaço

Fonte: SSP-PI. Arsenal do Novo Cangaço

Em junho de 2014, no Agreste alagoano, equipes de policiais da DEIC sob o comando dos delegados Paulo Cerqueira e Guilherme Iusten conseguiram prender Evanaldo Galdino da Silva, perigoso assaltante de banco, líder de bando identificado como integrante do “Novo Cangaço”, modalidade criminosa caracterizada pelo emprego de grande efetivo, uso de explosivos, armamento pesado e farta munição, que invade cidades do interior das regiões Norte, Nordeste e Cento Oeste, fazendo reféns as pessoas que encontram pelo caminho.

A importante prisão não recebera tanto destaque na mídia local, talvez por imaginar que os adjetivos relacionados à periculosidade do preso estivessem superdimensionados pelos policiais capturadores.

Assim como o bando inspirador comandado por Virgulino Lampião, o “Novo Cangaço” tem origem no Sertão pernambucano, com destaque para a região de Cabrobó e municípios circunvizinhos, onde se concentram os irmãos Araquan, ícones da nova modalidade criminosa.

Naquele município, tive a oportunidade de participar de operação policial integrada com unidades da polícia civil e militar pernambucana, polícia rodoviária e polícia federal, que culminara com a prisão de seis assaltantes de banco que roubaram a agência Viçosa do Banco do Brasil e, na rota de fuga, por pura perversidade, mataram um inocente cidadão que aparecera no caminho. No dia anterior à operação, na mesma região, fora sepultado um dos irmãos Araquan, vítima de acidente de trânsito, levando para o túmulo a informação do local onde teria enterrado grande quantia em dinheiro resultante do último e bem sucedido assalto a banco.

Nessa semana, li no portal de notícias G1 matéria sobre o “Novo Cangaço” que destacava o poder bélico do grupo e a forma violenta de ação, ameaçando policiais militares de Curimatá, no Piauí, que mataram cinco integrantes do bando quando perseguidos após o assalto à  agência local do Banco do Brasil. Entre os mortos, estava o líder Denilson Araquan, fato que ampliou o tom das ameaças, conforme demonstrado na degravação : “Como a bala entra em nós, entra neles também. A juventude do ‘Novo Cangaço’ vai voltar e vai cobrar. Nós vamos roubar esse banco e ‘fazer latrocínio’. Agora, ‘o polícia’ que estiver de plantão vai pagar por essa covardia [morte de integrante]”, diz um dos integrantes da quadrilha (…) “Vamos matar qualquer PM na rua, não importa se trabalha no Corpo de Bombeiros. Nós não somos covardes como vocês, vamos mostrar como se briga, como é o verdadeiro cangaço”.

Segundo o coronel Carlos Augusto Gomes de Souza, comandante da Polícia Militar do Piauí “a característica desse grupo criminoso é que os integrantes não se entregam, mesmo encurralados, eles resistem e preferem morrer a serem presos. Eles são extremamente violentos. Porém, a polícia está preparada para contê-los. Não nos intimidamos com os recados que eles estão enviando pelo WhatsApp”

Notícia também preocupante apresentada na matéria jornalística é a possível ligação do “Novo Cangaço” com milícias no Paraguai e na Bolívia, onde conseguiriam as armas e treinamentos para manuseá-las, informe que vem sendo investigado pela inteligência policial.

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COMENTÁRIOS
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  1. OSSIR GORENSTEIN

    Quero cumprimentar o articulista pelo seu rico currículo e objetividade no tratamento da informação, como também, pelo trabalho em tratar de um dos mais sérios problemas que o país enfrenta, o da segurança pública e dos cidadãos comuns.

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