Profissão perigosa
   Flávio  Saraiva  │     13 de abril de 2016   │     20:17  │  2

Unknown-10Nos últimos dias, os gestores da segurança pública têm administrado uma série de eventos que causam bastante preocupação. Na terça-feira 05/04, uma guarnição do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) fora surpreendida por assaltantes que tomaram suas armas. A ocorrência que poderia ser transformada em tragédia, considerando as variáveis de reação ou execução sumária por parte dos criminosos, resultou em demonstração de eficiência da tropa que em menos de duas horas prendeu os assaltantes e apreenderam as armas roubadas e as utilizadas no roubo.

Noite de sábado 09/04, uma guarnição de policiais militares comandada pelo capitão Rodrigo Moreira assume a ocorrência que objetivava encontrar o criminoso que acabara de roubar um aparelho de telefone celular que emitia sinais de sua localização. Diligente e com o auxílio da tecnologia chegara ao local onde estaria o telefone roubado; voluntarioso e motivado pelo dever de servir, o oficial fora baleado e morto ao escalar o muro da residência onde possivelmente estaria abrigado o suspeito do roubo. Agnaldo Lopes de Vasconcelos assumira a autoria do homicídio, sendo então autuado em flagrante e tivera a prisão preventiva decretada em seu desfavor. Ocorrência considerada rotineira que se transformou em tragédia enlutando a tropa e familiares. É muito difícil administrar a perda de um corajoso servidor   exercitando o dever de servir.

Na noite de segunda 11/04, o cabo José Américo da Silva, de folga, fora baleado após reagir a assalto enfrentando dois criminosos na Via Expressa que saíram levando o veículo da vítima e a arma de fogo da corporação. Por sorte, órgãos vitais não foram atingidos e o militar rapidamente obteve alta médica, além da recuperação do veículo e da arma roubados. Ocorrência com alto grau de risco que poderia ter resultado morte em razão do número de disparos realizados, conforme demonstram imagens que podem ser acessadas no link www.gazetaweb.com/portal/noticia.php?c=7702.

Na terça-feira 12/04, o sargento Francisco teve a arma roubada em um assalto praticado entre os municípios de Matriz do Camaragibe e Maragogi, quando a van de transporte complementar em que estava fora interceptada por cinco assaltantes em dois veículos, recolhendo pertences de todos os passageiros, aí incluída a bolsa em que estava a arma de fogo do militar com munições. Surpresos com o achado, os assaltantes tentaram identificar o policial para matá-lo; inteligente e consciente do perigo que lhe rondava, o sargento conseguiu sair da mira dos criminosos.

Na análise fria dos acontecimentos surgem muitos especialistas para identificar e apontar falhas nos procedimentos policiais, mas é no calor da ocorrência em que é determinado o que será sucesso ou tragédia.

Acompanhando tudo isso, considero-me um sobrevivente, privilégio que um dia acabará, mesmo aposentado da perigosa profissão.

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COMENTÁRIOS
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  1. Adolfo Domingos da Silva Junior

    Excelente artigo Dr. Saraiva.
    O exercício da nobre função policial é um verdadeiro sacerdócio.
    Forte abraço.
    Adolfo Domingos – Delegado de Polícia de Ribeirão Preto/ SP

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