Você está demitido!
   Flávio  Saraiva  │     2 de março de 2016   │     23:41  │  3

Você está demitido! Com esse bordão o empresário apresentador Robert Justus eliminava os participantes do reality show O Aprendiz que não conseguiam êxito na condução das missões que lhes eram confiadas. A decisão era anunciada diretamente ao demitido, testemunhada pelos telespectadores e demais participantes que continuavam no programa, acompanhada das circunstâncias motivadoras e relacionadas às limitações do demitido.

As experiências vividas no programa de televisão se davam no universo privado, onde as admissões e demissões acontecem com mais facilidade, respeitadas as leis trabalhistas e os custos delas decorrentes.

No serviço público é diferente, a admissão ocorre por concurso e a demissão embasada em processo administrativo disciplinar, excetuados os cargos comissionados cuja estabilidade depende da confiança e conveniência do chefe. Diante de tantas arbitrariedades de gestores argumentadas no livre arbítrio, o legislador resolveu disciplinar melhor a relação, exigindo deles a devida motivação para os seus atos, assim como acontecia no programa do Justus.

Na televisão, de forma muito clara, mesmo que doída, o demitido sabia o porquê da demissão; no serviço público, a causa para a movimentação de servidores geralmente é expressada de forma genérica e dimensão oceânica – por interesse público. Ali o gestor navega a braçadas.

Na área privada as boas ideias, oriundas de estudos e análises de experiências exitosas, são aproveitadas pelos sucessores; no serviço público, se não constam na cartilha do chefe, por melhores que sejam, são desprezadas. Como consequência, gastos monumentais com soluções de continuidade.

No mundo privado prevalece a gestão de resultados e meritocracia; no serviço público nem sempre, há ainda a prevalência de motivação política e afagos preceituados na cartilha do chefe. O servidor público é muito valorizado no momento da convocação para missões espinhosas, quando são apresentadas justificativas e virtudes só nele encontradas, mas basta mínima transgressão ao conteúdo da cartilha para ser descartado por interesse público.

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COMENTÁRIOS
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  1. Alagoano

    Pra quem não entendeu nada, o artigo deve ter sido escrito e publicado em referência à exoneração do Delegado José Carlos da Delegacia de Homicídios, onde vinha fazendo um elogiado trabalho com os demais integrantes daquela Especializada e foi defenestrado sem nem tomar conhecimento prévio. Ele soube da destituição pelo famigerado Diário Oficial.

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  2. PC indignado

    Verdade dr. Flávio! Recentemente tivemos um exemplo aqui em Alagoas: o competente delegado José Carlos foi exonerado de suas funções na delegacia de homicídios pelo delegado geral Paulo Cerqueira sem qualquer justificativa! Quer dizer, justificativa política! Veja só a qualidade de gestor na PC!!! Por isso a ladeira abaixo…

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