Passe Livre de volta
   Flávio  Saraiva  │     10 de janeiro de 2016   │     11:46  │  0

CATRACA LIVRE

O Movimento Passe Livre realizou na sexta 08/01, no Centro de São Paulo, protesto contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e trens, culminando, mais uma vez, em confronto entre manifestantes e policiais militares.

As imagens do confronto mostram manifestantes destruindo fachadas de lojas, jogando pedras nos policiais e, seguindo conhecido roteiro, tentando incendiar ônibus.

Muitos policiais foram feridos pelos manifestantes, mas, como abordamos em posts anteriores, tem-se a compreensão de que polícia está ali para apanhar e suportar todos os tipos de provocações e agressões. Chega-se a afirmar que a polícia tenta queimar o estoque de bombas de gás e balas de borracha nas manifestações.

Ao se questionar sobre quem iniciou o confronto, afirma-se que pouco importa, principalmente quando as imagens indicam a iniciativa dos manifestantes, acrescentando que a polícia está despreparada para fazer a contenção de distúrbios civis, com a justificativa repetida de que a formação dos policiais militares fora dirigida para guerra.

O blogueiro Leonardo Sakamoto, da Folha de São Paulo, expressa muito bem esse sentimento: “A verdade é que nem importaria quem começou, a polícia tem que ser mais fria que o cidadão em um protesto. Se a sua missão for garantir a segurança de todos, ela deveria cumprir isso evitando o confronto. Engolindo sapos se for necessário. Afinal, polícia não é Exército. Polícia não está em guerra com ninguém. Ou pelo menos não deveria estar (…) Porque essa situação sempre foi cômoda para justificar uma reação policial violenta, dissipar toda uma manifestação e gerar uma narrativa que criminaliza um movimento.”

Qual seria a forma de acompanhamento dos manifestantes? O que fazer com as condutas criminosas de danos ao patrimônio público e privado? Como tolerar o porte e uso de explosivos? Qual o preparo emocional e tático que o policial deverá ter para ser agredido com pedradas, cusparadas, lançamento de dispositivos incendiários e explosivos? As imagens de protestos semelhantes pelo mundo “desmilitarizado” mostram que não há muita diferença, exceto pelo uso de canhões de jatos d’água.

Há uma máxima no meio policial de que polícia longe faz falta, perto incomoda; o que nos faz questionar, ou talvez testar, sobre o que fariam os inocentes manifestantes nos protestos sem a polícia por perto.

Tem manifestação contra o aumento das passagens dos ônibus em Maceió programada para quarta-feira 13/01. Com ou sem polícia?

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