Narco cultura
   Flávio  Saraiva  │     24 de novembro de 2015   │     18:18  │  0

NARCO CULTURA

Assisti ao documentário Narco Cultura do fotojornalista Shaul Schwarz que trata da guerra às drogas na Cidade de Juarez no México, fronteira com El Paso no Texas/EUA, focado no trabalho de um perito forense e do grupo musical Bukanas de Culiacán que glorifica o estilo de vida dos traficantes com   os “narco corridos”.

O ritmo musical e os instrumentos são diferentes, mas a idolatria aos bandidos se assemelha ao “funk proibido” carioca, vejam só um trecho: “Com um AK-47 e uma bazuca no meu ombro, cruze o meu caminho e eu vou cortar sua cabeça fora. Estamos sedentos de sangue, louco, e nós gostamos de matar”. A preferência carioca no armamento muda um pouco, o fuzil favorito é AR-15 (Colt cal.556).

A guerra entre traficantes mudou radicalmente a forma de vida dos habitantes de Juarez, considerada como uma das mais violentas do mundo e campeã de homicídios no México. Do outro lado da fronteira, El Paso é apontada como uma das mais tranquilas cidades americanas, com índices baixíssimos de assassinatos. A disposição de enfrentar e punir criminosos é o que de fato separam as cidades e países.

Nessa ambientação de impunidade, o jovem mexicano cresce com a convicção de que para ser respeitado, ter importância, basta carregar um fuzil AK-47 nas costas e dinheiro fácil do tráfico de drogas no bolso.

Profissionais da segurança pública são constantemente ameaçados por narcotraficantes; quando resistem, são mortos nas ruas sem nenhuma preocupação dos autores com a prisão (apenas 3% são identificados). Com isso, servidores públicos deixam os cargos de chefia e muitos pedem demissão.

Nos cemitérios, além da grande ocupação com mortos comuns, área especial é reservada para a construção de monumentais catacumbas destinadas ao sepultamento dos poderosos traficantes, é o túmulo ostentação.

Naquelas terras, Shaul Schwarz notou que a fotografia não seria a melhor forma de documentar a guerra, optando então pelas filmagens que, segundo ele e com  muita razão, “permite mostrar que a violência decorrente das drogas não se limita ao México, mas que é um problema americano também”.

O problema está espalhado pelo mundo, o narcotráfico traz com ele a violência, corrompe gerações de jovens, inverte valores, um pacote de comportamentos que o fotojornalista denomina de narco cultura.

Por fim, importante alerta de Schwarz:  “Estamos aceitando esta guerra que não está tão longe, somos realmente parte dela. O filme não é político, espero que ele faça as pessoas sentirem que não podemos viver dessa forma. Eu não quero que as pessoas simplesmente varram para debaixo da mesa, vamos falar sobre isso.”

É o que faço ao publicar este texto.

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