Inimigo jovem, rico e sem medo de morrer
   Flávio  Saraiva  │     21 de novembro de 2015   │     17:03  │  6

ESTADO ISLÂMICO

A Folha de São Paulo traz matéria com opiniões de especialistas sobre o poder econômico do Estado Islâmico (EI), concluindo tratar-se de uma corporação autossuficiente e muito bem administrada, que detém o monopólio do petróleo em uma área com mais de 12 campos de exploração e vive de extorquir seus “clientes”.

A organização terrorista tem como principal negócio a venda de petróleo, que rende cerca de US$ 2 milhões por dia, em espécie, evitando transações financeiras formais passíveis de rastreamento por parte das grandes potências mundiais.

Segundo Joshua Landis, chefe do Centro de Estudos de Oriente Médio da Universidade de Oklahoma,  “a única coisa que existe nessa região é o petróleo, e as pessoas precisam disso para viver”, impulsionando novas formas criativas de contrabando do produto, transportado por gente atravessando as fronteiras a pé, em cima de mulas e em caminhões que formam filas quilométricas para carregamento na fonte.

É bem razoável imaginar que para os Estados Unidos, por exemplo, seria fácil localizar e destruir os poços e refinarias de petróleo administradas pelos terroristas; mas a guerra acaba e essas instalações precisam ser preservadas para manter a sobrevivência da sofrida população.

A alternativa é cortar fontes de financiamento do EI, que tem outro fato complicador levantado por Yezid Sayigh, pesquisador sênior do Carnegie Middle East Center, a dificuldade de praticá-la sem interromper o fornecimento de serviços essenciais como hospitais, padarias e transportes, que precisam de diesel para funcionar. Estima-se que há cerca de 10 milhões de pessoas vivendo em áreas controladas pelo EI.

As outras fontes de receita do EI vêm de tributos, em forma de extorsões, pagos por comerciantes pela circulação de mercadoria,  eletricidade, água e segurança. Agricultores pagam o imposto religioso (dízimo) com parte da colheita de trigo e cevada; alguns são vitimados pelo confisco de suas máquinas agrícolas, que depois voltam com o devido pagamento de aluguel pelo uso delas.  Cristãos pagam taxa para continuarem vivos; bancos estatais são tomados, os privados são taxados.

Com todo esse poder econômico, o EI amplia as ações de recrutamento pelo mundo ocidental com propostas positivas para muitos jovens considerados fracassados nas periferias das grandes cidades, que no entendimento do Analista de Inteligência Eugênio Moretzsohn, são irresistíveis, acrescentando que “para quem não sabe para onde ir, qualquer direção é um norte”.

O EI oferta dinheiro, sentido de pertencimento, progressão na carreira terrorista, liderança e mulheres escravizadas disponibilizadas em vida; ao morrer, a companhia de 70 virgens prometidas por Alá. É extremamente desafiador, talvez inglório, enfrentar um inimigo jovem,  rico, sem medo de morrer e muita disposição para matar.

Tags:, , ,

>Link  

COMENTÁRIOS
6

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. Diógenes

    Discordo, completamente.
    O terrorismo precisa ser destruído. Nem que pra isso pessoas inocentes tenham que pagar um preço alto, por estarem perto desse nojo!!

    Reply
  2. Roberto Theodosio Brandão

    A grande diferença é que os ditos terroristas não tem medo de morrer. Nós ocidentais do outro lado do mundo temos muito medo de morrer e ai está o problema. Ricos, poderosos e financiados por inumeros grupos e Países não vejo grande saída para que sejam exterminados. Quem começou este derramamento de sangue sem necessidade foi o jornal frances “CHARLIE ABDO” com suas charges ofensivas ao Profeta Maomé. Se não tivessem ofendido o Profeta Maomé todos estariam vivos inclusive os 12 jornalistas do jornal. A sangria agora despertada vai continuar e será que há interesse de alguns Países em destruir o Estado Islâmico? Há interesses bilionários por traz de tudo isto. Quem iniciou esta guerra inglória? Todos os Países do mundo vão pagar por esta insanidade dos franceses.

    Reply
  3. Roberto Theodosio Brandão

    Mais de 1.000 viaturas Toyota Hilux fazem parte do efetivo do Estado Islâmico. Quem financia tudo isto? Será que eles foram presenteados por algum simpatizante? Onde há LUCRO não importa as mortes dos culpados ou inocentes pois são apenas um detalhe.

    Reply
  4. Maria Sampaio

    Não tenho como descrever esse mundo Islâmico,comparo como inferno sem volta para aqueles que sofrem a toda sorte de descriminações e ambições desse petróleo… e etc.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *