Vigiar e morrer
   Flávio  Saraiva  │     2 de novembro de 2015   │     9:39  │  2

VIGIAR E MORRERUma tentativa de assalto seguida de troca de tiros no Hospital Helvio Auto, no Trapiche da Barra, resultou em ferimentos no vigilante e no assaltante, além de grande tumulto com a correria de usuários e colaboradores da unidade médica. A polícia conseguiu identificar os supostos autores que confessaram o interesse em tomar a arma de fogo portada pelo vigilante.

O interesse criminoso não é nenhuma novidade e os vigilantes passaram a enfrentar maiores riscos nos postos de trabalho, mais das vezes sozinhos, desabrigados e com reduzidas possibilidades de reação bem sucedida. O sindicato da classe aponta para outra vulnerabilidade, cortes nos custos da segurança com a redução dos postos de trabalho em razão da crise financeira do país.

Os riscos não param por aí, são muitos os atrativos para criminosos – materiais e equipamentos valiosos, remédios caros, psicotrópicos, além das ocorrências de resgate ou assassinato de presos custodiados feridos em tratamento nas unidades.

Sempre que consultado sobre desafios na concepção de projetos de segurança cito como exemplo de complexidade os hospitais, que exigem medidas de segurança que possibilitem acesso rápido e seguro de usuários, sistemas integrados de monitoramento de câmeras e alarmes nas áreas comuns, depósitos, almoxarifados, central elétrica, abastecimento de água, gás etc.

O que constatamos, principalmente nas unidades do serviço público, são arremedos de sistemas de segurança, deixando para o vigilante a complexa missão, empunhando apenas um revólver do calibre 38 com 12 munições e contando com muita sorte para não ser selecionado por criminosos.

O sindicato da classe tem o histórico das ocorrências de mortes de vigilantes nos postos de serviço e exigem providências dos gestores contratantes que evitem superexposição desses profissionais a riscos de morte.

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COMENTÁRIOS
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  1. Williams Roger

    Saudações!
    Sou vigilante, mas não estou na ativa. Fiz reciclagem ano passado.
    Mas, sobre o artigo em tela, teço alguns comentários oportunos. Pois bem, são basicamente três observações:
    1- Realmente, engana-se do contratante, seja ele público ou privado, que em cortar custas, estará tendo algum tipo de economia, e/ou levando alguma vantagem. Pelo contrário, o prejuízo pode ser muito maior. Tanto material, quanto pela própria vida!
    O mundo aí fora não está para brincadeira. Veja, pensemos um seguinte, se já existindo um vigilante, os delinquentes e criminosos já são ousados, pior, já cometem o crime com o intuito de matar ou morrer, se já é assim, imaginem com uma vigilância frágil, no caso do errôneo corte de gastos!
    Portanto, todo gasto não, investimento, é muito bem vindo – sempre! Pois, não sem muito importância, mas se já é ruim um prejuízo material, avalie o tombamento de um bem que não tem preço: A VIDA!
    2-Convenhamos, muitos casos de furto e roubo de armas são por negligência – ou seja – vacilo! E como é público e notório, muitos vigilantes até perdem a própria vida por isso!
    Agora justiça seja feita! Para não se ter uma interpretação erronia e/ou tendenciosa frente as escolas preparatórias de vigilantes.
    Fiz o meu curso na Força, e todas as minhas reciclagens na Securit. E eles são excelentes no curso e no corpo de instrutores, super preparados. O problema, sem generalizar, é o próprio profissional, muitos por imprudência, negligência e omissão e comissão, uma vez que esses casos se operam na subjetividade, sendo este último pelo dever de agir, e que em alguns casos não agem. Deixam a desejar. E falta de perícia não é, pois foram capacitados, alertados e receberam notas frente seus desempenhos!
    Citando alguns casos, negativos/condutas erradas e/ou anormais: excesso de confiança, ingenuidade, desleixo, pois o vigilante tem que está atento, sempre! Falta de postura e descumprimento de regras internas estabelecidas pelo contratante e/ou de regras de seguranças estudadas e aprendidas nos cursos preparatórios e de reciclagem.
    3- Trata-se de uma crítica construtiva ao sindicato e quiçá também às empresas, no que tange ao caso concreto, como uma forma de reforço na admoestação, diante dos diversos casos contumazes em relação a um dos pontos principais da reflexão do referido artigo – a subtração da arma do vigilante para o cometimento até de outros crimes:
    Sugiro que o sindicato faça uma campanha mensal, 12 meses no ano, com banners, jornaizinhos, panfletos, mala direta através de e-mais, visitas constantes aos postos, principalmente nos postos noturnos e imprensa, em geral, sobre a importância de não vacilar, sobre os casos de culpabilidades supracitadas. Alertando-os sobre o cuidado com a própria vida, muito antes do cuidado com os bens materiais dos contratantes, bem como das pessoas que ali trabalham e frequentam.
    É só isso. Kkkkk
    Quase que escrevo um artigo! Kkkkk
    Me desculpe o prolongamento, mas tudo tem que ser bem esmiuçado, informado e alertado. Casos esses, tomando como exemplos, infelizmente, casos que a mídia mostra todos os dias!

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