ATALHO PARA A MORTE
   Flávio  Saraiva  │     12 de outubro de 2015   │     15:33  │  0

quintinoDepois de termos completado a (meia) Maratona Internacional Maurício de Nassau em Recife/PE, fomos pegar taxi na região denominada de Recife Velho; entramos no veículo e informamos o destino – a Praia de Boa Viagem, destino mais famoso da Veneza brasileira. Para nossa surpresa, o motorista resolvera recorrer ao aplicativo Waze para seguir ao destino informado, argumentando que ele indicaria o melhor fluxo de trânsito e percurso.

Não demorou muito e o Waze nos levou ao pior percurso, como se estivéssemos voltando para o local de origem, trafegando em área insegura e à noite. Por sorte, conhecemos bem a cidade e logo indicamos o melhor caminho ao taxista, que apresentara desculpas pelo erro grosseiro, apesar de muitos anos na atividade.

Fizemos essa introdução para tratar do assassinato de Regina Múrmura ocorrido na noite de 03/10, ao entrar por engano no Morro do Caramujo, em Niterói/RJ, em veículo conduzido pelo marido. Mesmo indo para região conhecida, o casal resolvera recorrer ao aplicativo Waze para se dirigir ao endereço de uma pizzaria, digitando o nome da avenida de destino como rua, sendo então encaminhados para a favela onde foram interceptados por traficantes locais.

O carro fora alvejado várias vezes e um disparo atingiu Regina, que não resistiu e faleceu no hospital em decorrência de uma parada cardíaca. O marido, agredido com coronhadas na cabeça enquanto tentava negociar com os bandidos uma saída daquele inferno, tivera a sorte de não ser atingido pelas dezenas de disparos de armas de fogo, que encontraram como escudo balístico os castiçais metálicos carregados na mala do veículo que conduzia em fuga.

A praticidade do aplicativo gera conforto que pode significar insegurança, como bem dissera o marido de Regina, informando que não precisava da ajuda eletrônica, já conhecia a região e bastava perguntar a alguém em local seguro o endereço da pizzaria.

A comodidade nos desobriga a traçar um roteiro prévio, dado pelo próprio aplicativo, e tentar identificar não conformidades que representem insegurança. A simples conferência da digitação do endereço e rota poderia ter evitado que o casal pegasse o atalho para a morte. Dizemos isso por experiência própria, vivida em agosto deste ano, também no Rio de Janeiro, levados pelo aplicativo a locais sobre os quais não tínhamos nenhuma referência geográfica ou comercial, conduta insegura evitável com a análise prévia da rota e visualização das imagens em 3D do Google Earth.

É paranoia, mas dá segurança.

Tags:, ,

>Link  

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *