VIOLÊNCIA É CASO DE POLÍCIA
   Flávio  Saraiva  │     24 de agosto de 2015   │     12:03  │  2

VIOLENCIA  CASO DE POLICIAParticipando do programa Seguranca em Foco na TV Mar, fui instado a apresentar as possíveis razões sobre a redução de homicídios no Estado e, principalmente, acerca dos nove dias sem crimes violentos letais intencionais em Maceió. Para quem estava se acostumando com dezenas por semana, foi uma grata surpresa.

A boa novidade fora observada pelo Ministro da Justiça José Eduardo Cardoso em sua visita ao Estado, enfatizando que deveria ser motivo de orgulho para os alagoanos, até porque havia poucos indicativos para que ela acontecesse. Sem muita coisa boa a apresentar do governo que integra, o ministro dissera que iria levar a exitosa experiência alagoana a organismos internacionais.

O que teria acontecido para essa mudança de sentido na curva das estatísticas?

O senso comum, e correto, indicava que sem grandes avanços nas áreas sociais pouco se poderia fazer na segurança pública, considerando a violência como fenômeno natural da ausência do Estado; enfim, a violência não era caso só de policia. Essa compreensão fora muito bem aproveitada por gestores da segurança pública, que nela encontraram importante argumento para justificar resultados pífios.

Faz tempo, reclamava o surgimento de uma liderança na segurança pública que avocasse a responsabilidade de reverter a situação, mas o quadro não era tão promissor, mesmo com o Estado sendo escolhido para ser laboratório do programa do governo federal Brasil Mais Seguro, com consequente aporte de mais recursos. O governo estadual já havia tentado duas terceirizações que não apresentaram bons resultados, e seguia para a terceira com o aludido programa federal.

Como esperado, não deu certo, faltara o envolvimento direto do governador e mais estofo ao comandante escolhido – um grande militar, que depois de muitos anos ausente da tropa, voltara para em pouco tempo comandá-la, dominando depois toda a estrutura de segurança pública. Era muito poder para administrar, talvez por isso não tenha encontrado tempo para ouvir seus comandados, dividir angústias e liderar. Depois disso, passagens meteóricas de importantes quadros do Estado que, por razoes óbvias, pouco puderam realizar.

Pois bem, vem o governo de Renan Filho e confia o comando da segurança pública ao promotor de justiça Alfredo Gaspar de Mendonça, que por sua vez define para o comando da polícia militar, polícia civil e sistema penitenciário pessoas com grande capacidade de trabalho e administração da própria vaidade, condições essenciais à unidade da equipe.

Sempre se afirmou que a origem dos homicídios tinha relação direta com o tráfico de drogas, porém, de forma incoerente, o combate aos narcotraficantes não era tão intenso como deveria ser. Assim, nas regiões comandadas por eles, os índices de homicídios só cresciam, com grupos de jovens matando e morrendo pelo domínio das bocas de fumo, mantendo-se impunes através do silêncio de pessoas aterrorizadas que testemunhavam os crimes.

As operações policiais contra narcotraficantes se multiplicaram, as apreensões de drogas seguem batendo recordes, mais grupos acusados de homicídios são presos, e assim, não se poderia esperar outro resultado – queda nos índices da criminalidade, em razão da desarticulação e descapitalização do comando criminoso.

É bem verdade que o quadro, hoje promissor, necessita de ajustes frequentes, principalmente na motivação da tropa, que se sente amparada com o apoio de seus comandantes nas reivindicações classistas e presença deles nas grandes operações policiais.

Claro, avanços nos indicadores sociais são essenciais, mas, combate a violência é caso de polícia.

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COMENTÁRIOS
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  1. Zu Guimarães

    Muita coincidência, uma semana sem crimes, às vésperas da visita do ministro. Esta informação é mesmo verdadeira ou tem doses generosas de marketing?

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  2. Laur Lucio

    Encontraram três corpos no fundo da lagoa Mundaú hoje: acaba o mistério da cidade de Maceió sem homicídios, estavam jogando os defuntos na lagoa.

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