O XERIFE DO SERTÃO
   Flávio  Saraiva  │     11 de julho de 2015   │     8:26  │  5

images-3Em 2003, viajando pelo Sertão Alagoano, fui apresentado ao então novo Delegado de Polícia titular da Regional de Delmiro Gouveia – Rodrigo Cavalcante, que vestia um terno de cor verde, contrastando com a vegetação seca do local, e na cintura largo cinto de guarnição com uma pistola .40 acomodada no coldre, ocupando grande parte da perna. Levado a fazer conclusões à primeira impressão, logo o defini com certa ironia: trata-se de um xerife, falta-lhe apenas o chapéu e o distintivo.

Chegou lá solteiro, mas não demorou muito para constituir família e fixar residência na região, condição que mais tarde lhe rendera muitos frutos para o trabalho policial. Integrado na sociedade local, passara a ter interlocução direta com as lideranças políticas, comunitárias, eclesiásticas, empresariais etc, facilitando o recebimento de informações essenciais ao trabalho policial.

Estabelecera com juízes e promotores relação de confiança fundamental no atendimento de representações por mandados de prisão e de busca e apreensão; afinidade que se estendera aos policiais militares e guardas municipais, iniciando integração que teve seus efeitos notados com a sequência de prisões de quadrilhas de traficantes de drogas, ladrões de gado, homicidas etc, sempre em grande número.

Com a relevância do trabalho e a quantidade de presos pousando para fotos como se fossem integrantes de time de futebol – em pé, agachados e sentados, os jornais impressos e sítios eletrônicos de notícia repercutem as operações policiais comandadas por ele, dedicando-lhe a primeira página e chamada de destaque.

Depois da instalação da gestão de resultados na segurança pública, com cobrança de cumprimento de metas nas áreas de responsabilidades de oficiais e delegados de polícia, fora possível avaliar o trabalho de Rodrigo Cavalcante e assim merecer justa homenagem dos superiores hierárquicos por cumpri-las.

Sobre o método de trabalho, faz questão de afirmar que é focado no combate ao tráfico de drogas, que tem como consequência apreensão de armas e prisão de homicidas, impactando na redução de roubos e outros crimes contra o patrimônio.

Rodrigo admite a dificuldade inicial que tivera ao assumir a missão de comandar efetivo policial; hoje, mais maduro, com grande rede de informantes, cautela e menos emoção, garante ter encontrado o equilíbrio necessário ao gestor policial.

As horas de folga são aproveitadas para cuidar dos cavalos, grande paixão, mas com eles não vai à caça de bandidos como faziam os xerifes no Oeste Americano, prefere derrubar boi nos parques de vaquejada.

Passados doze anos, confirmo a primeira impressão, trata-se de um xerife, desnecessários o chapéu e o distintivo, basta-lhe o reconhecimento do sertanejo.

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COMENTÁRIOS
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  1. Giovanni Jatubá

    Prezado colunista, particular amigo.
    Sou testemunha do profícuo trabalho desempenhado pelo Delegado Rodrigo Cavalcante. Vocacionado, sem estrelismo e esnobação, desenvolve brilhante serviço na segurança pública daquele rincão sertanejo.

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  2. Ricardo

    Parabéns Ilustre Flávio Saraiva,
    Justa homenagem, o Delegado Rodrigo Rocha é exemplo de simplicidade, humildade e dedicação; autoridade policial acessível e líder.
    Delegado Rodrigo Rocha, continue sendo essa pessoa amável e firme; esse profissional comprometido e respeitoso; esse líder presente e servidor.
    Que Deus continue iluminando sua vida e livrando-o dos inimigos..

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  3. Mauricio Henrique

    Meu amigo RODRIGÃO, sempre combativo e eficiente na região sertaneja. Na década de setenta tinha uma novela cujo o título era: “Gerônimo o herói do sertão”! Seria uma boa adaptação nos dias de hoje para o nosso amigo Rodrigo, pois quem mora aqui na região sabe das dificuldades que é enfrentar criminosos sem a mínima estrutura. Parabéns Rodrigão e ótima matéria Flavinho!

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