NADA RESOLVE
   Flávio  Saraiva  │     8 de julho de 2015   │     9:14  │  1

uma_luz_no_fim_do_tunelEducação, saúde e segurança pública é tripé visto como essencial para o desenvolvimento de uma nação, com importância dada na sequência apresentada. Conversando com um estudioso amigo, despojado de vaidade e radicalismo de qualquer espécie, ouvi dele o lamento pelo fato de o regime militar, nos 21 anos de ditadura, não ter dado a devida importância à educação na mesma proporção que dera à infraestrutura, com a construção de obras essenciais.

Para o bem de todos e felicidade geral da nação, chegou a democracia e a consequente abertura para debates de todos os temas possíveis e imagináveis, mas sempre com foco no sentimento de liberdade recém conquistado.

Houve avanços importantes na saúde pública, longe do ideal é verdade; mas, na educação e segurança parece não haver horizonte promissor, formando sentimento de que nada proposto resolve.

Educação familiar cada vez mais terceirizada pelos pais aos professores e às ruas, vendo os filhos passando de ano sem saber nada; reprovar não pode, não resolve nada. Vem o legislador e criminaliza a palmada, pois, bater em filho não resolve nada, como se pai ou mãe o fizesse por crueldade. Lembro-me das três surras educadoras que levei do meu pai, bem como dos motivos, nunca mais repetidos. Sou-lhe muito grato.

Encarcerar criminosos é outra coisa que não resolve nada, o Estado manda um monte de gente para a cadeia, por todos considerada a universidade do crime, para dali sair pior do que entrou. Ali não trabalham, raríssimos estudam e ninguém resolve a superlotação, encarada como se fosse um fato novo que surge a cada dia e que não tem solução.

Na ocorrência de um crime de repercussão que choca o país o Congresso reage com leis mais duras, penas severas, mas não resolve nada, a cadeia já está superlotada, não há vagas. Vem o contraponto, abrandamento na lei, penas alternativas, transação penal e outros benefícios legais que permitem a um criminoso entrar e sair pela porta da frente da cadeia 37 vezes. Sensação de impunidade que revolta, mas não resolve nada.

A maioridade penal vira mote para disputa de poder no Congresso Nacional, os que apoiam a redução são adjetivados de integrantes da bancada da bala; os contrários argumentam que os menores não devem ingressar na universidade do crime com menos de 18 anos e conviver naquele ambiente insalubre, não resolve nada, sairão piores, com diplomação precoce no crime. Deixa como está, mata, estupra, trafica e tudo mais e, se apreendido, encaminhado para unidades de internação, juntando-se a outros com diferentes graus de periculosidade. Lá também não tem separação, é o cursinho para ingresso naquela universidade, com avaliações periódicas nas matérias de rebelião, fugas, tomada de funcionários públicos como reféns, tráfico interno de drogas, lesões corporais nos companheiros de internação, homicídio, ou seja, não resolve nada.

Trata-se de ciclo não virtuoso, onde qualquer proposta é condenada em seu nascedouro; no caso da segurança pública é o sistema penitenciário que não resolve nada e não passa por nenhuma transformação; é a mesmice de muitos anos, a única mudança significativa é o domínio das facções criminosas ocupando o espaço deixado pela omissão do Estado.

Vamos esperar por dias melhores, mas também não resolve.

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