CONSELHOS DE UMA DELEGADA
   Flávio  Saraiva  │     26 de junho de 2015   │     22:59  │  1

CONSELHOS DE UMA DELEGADACirculam nas redes sociais dicas de segurança cuja autoria seria atribuída a uma Delegada de Polícia do Rio de Janeiro, apresentadas a uma vítima, no momento do registro do boletim da ocorrência. Recebi o conteúdo com a recomendação de que fosse publicado neste espaço, o que agora cumpro, acrescentando algumas observações.

SEQUESTRO RELÂMPAGO 

Dica: “Se um dia você for jogada dentro do porta-malas de um carro, engula o pânico e respire fundo, calma e frieza. Chute os faróis traseiros até que eles saiam para fora, estique seu braço pelos buracos, gesticule feito doida. O motorista não verá você, mas todo mundo notará. Isto já salvou muitas vidas”.

Comentários:

– A mulher deve dificultar a ação do criminoso, evitando ocupar o espaço ofertado pela porta aberta, posicionando-se entre o retrovisor e o para-lamas dianteiro, com a porta servindo de obstáculo.

– Gesticular feito doida, contraria a recomendação de permanecer calma, portanto, os gestos devem demonstrar a situação de perigo.

– Fazer esforço mental para identificar ruídos externos, ouvir a conversa dos criminosos, identificar diferentes rodovias etc., informações importantes para investigações futuras.

– A motorista deverá conhecer o sistema de trancamento da mala, podendo abri-la em paradas no momento em que identificar ruído de outros veículos e pessoas.

– Se possível, manter um telefone celular de baixo custo e carregado no porta malas, com mensagens previamente digitadas e gravadas, combinadas com os destinatários de confiança.

A Delegada segue informando os três motivos pelos quais as mulheres são alvos fáceis para atos de violência:

1 – Falta de atenção: Você tem que estar consciente de onde você está e do que está acontecendo em volta de você.

2 – Linguagem do corpo: Mantenha sua cabeça erguida, e permaneça em posição ereta, jamais tenha uma postura “frágil”.

3 – Lugar errado, hora errada: não ande sozinha em ruas estreitas, nem dirija em bairros mal-afamados à noite”.

Comentários:

Em tempos de WhatsApp, as pessoas se desligam do que está acontecendo no seu entorno, sendo logo selecionadas como vítimas pela distração e atrativo que representa o aparelho telefônico. Evite teclar andando pelas ruas e, quando dirigindo, nas paradas de semáforos.

O lugar e hora errada podem ser evitados com o uso de aplicativos eletrônicos e informações da mídia.

A autoridade policial conhece bem as atitudes femininas de risco, ao informar que as mulheres têm a tendência de entrar em seus carros depois de fazerem compras, refeições, e sentarem-se fazendo anotações em seus talões de cheques, escrevendo em alguma lista, ou ainda conferindo o ticket de compra. Este é o momento aproveitado pelo bandido observador, para entrar pelo banco do passageiro e colocar uma arma na cabeça da motorista distraída e dizer onde quer ir.

NO ESTACIONAMENTO

A dica é entrar no carro, travar as portas e ir embora, evitando distrações ajeitando o cabelo, passando batom,   operando o celular etc. Antes disso, é recomendável observar o entorno do veículo estacionado, com especial atenção a Vans com películas escuras, usadas para sequestro de mulheres em áreas de estacionamento.

As chaves do veículo devem estar nas mãos ou em local definido nas enormes bolsas femininas, evitando perda de tempo distraída na busca delas. Outro ponto importante é não acionar o alarme muito distante do carro, dificultando a prévia identificação ao criminoso.

Se um homem estiver sentado sozinho no assento do carona do carro próximo ao seu, desconfie, peça ajuda à segurança – se tiver, ou espere e observe à distância as atitudes do suspeito. A Delegada acrescenta que “é sempre melhor estar a salvo do que estar arrependida, não tenha vergonha de pedir ajuda”.

Comentário:

Siga a Delegada, ela sabe do que está falando.

Ao final, um relato assustador da Delegada, mas didático: “Um assassino sequencial, homem de boa aparência, com boa formação acadêmica, declarou em seu depoimento que sempre explorava a simpatia e o espírito condescendente das mulheres. Ele andava com uma bengala ou mancava, e consequentemente pedia ‘ajuda’, para entrar ou sair de seu carro, e era nesse momento que ele raptava sua próxima vítima”. E, a consequente dica: “muito cuidado ao ajudar a quem não conhece”.

Conclusão:

Para alguma desavisada ou autossuficiente, as dicas da Delegada podem parecer exageradas e indicativas de possível distúrbio paranoico, contudo, como se tratam de medidas preventivas de segurança, as estatísticas informam que quem as pratica com disciplina tem 95% de chance para não ser vitimada; os 5% restantes são divididos entre sorte e reação, variáveis administradas pelo criminoso.

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COMENTÁRIOS
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  1. Jefferson Alexandre

    Acho que essa Delegada assitiu o filme ” Chamada de Emergência”. Muito parecido as dicas e com a situação por ela descrita. Atitudes cinematográficas pode matar os”heróis” do mundo real. Prudência, essa é a palavra.

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