O FOTÓGRAFO CORREDOR
   Flávio  Saraiva  │     11 de junho de 2015   │     7:58  │  5

MAIVANMaivan Fernández ingressou na polícia civil em 2002, logo chamado para compor equipe de profissionais que desenvolviam o sistema informatizado de ocorrências policiais – o SISPOL, marco na conservadora instituição, que ainda insistia em práticas antigas. Naquela época, rondavam teorias conspiratórias de grampos generalizados em todas ambientações, mais um fato para estimular resistências ao novo sistema, materializadas em monitores e CPU’s de cor preta que imaginavam conter escutas.

Pesando 118 kg, Maivan conseguia trafegar pela Grande Maceió numa moto de 125 cilindradas, instalando as máquinas pretas nas delegacias e demais unidades policiais e administrativas. Nessa atividade, passara a ser gestor da área de informática e telecomunicações; sempre disponível, passou a ser conhecido por todos. Eu mesmo, admitindo certo exagero, dizia que alguém poderia até não conhecer o Delegado Geral, mas desconhecer o Maivan, não.

O tempo passando rápido, muitas transformações na administração policial e problemas pessoais o levaram ao desestímulo, precisava mudar de ares e, como a sorte bate sempre na porta dos que se preparam para recebê-la, assim acontecera com o gordo Maivan. No começo de 2009, acredito que em razão de suas habilidades com sistemas informatizados, fora convidado para participar de um curso de análise criminal em Brasília, com duração de três meses.

Lá fora recebido por companheiros de curso que formavam uma equipe de atletas e tinham como esporte comum a corrida. Essa nova tribo acordava cedo para a prática esportiva e, insistentemente, o convidavam para uma corrida no parque da cidade, mas o conforto da cama era concorrência desleal. Depois de 15 dias, vencido pela insistência, fora convencido a comprar seu primeiro par de tênis de corrida e assim iniciara nova vida.

Os companheiros corredores o adotaram, passando treinamentos leves intervalados para não desestimulá-lo: 100m de trote seguidos de 100m de caminhada. Com os resultados aparecendo, surge o desafio de participar da primeira prova de rua, lá mesmo em Brasília, 5km, o início de uma série de conquistas.

Voltara a Brasília outras vezes para bater recordes pessoais: 5km em 19min19seg; 10km em 39min50seg; 21,1km (meia maratona) em 1h33min; 42,2km (maratona) em 3h42min.

Encantado com a prática esportiva, percebera o rápido processo de perda de peso e de alguns “colegas de copo”, não dava para conciliar corrida com farra, mudara de hábito, dormia cedo para acordar cedo e treinar. Com os novos amigos formados após 2009, compreendera que papo de corrida só com corredores, para não correr o risco de ser chato, ou presunçoso, se falar de conquistas.

Em 2012, Maivan já participava de ultramaratona com 300km de percurso nos trechos/etapas Salvador- Aracaju, Aracaju-Maceió, em revezamento. A virada de vida passou a estimular colegas de trabalho que se tornaram corredores, são tantos, que está sendo organizada a primeira corrida de rua da polícia civil.

No ano de 2013, participando de uma ultramaratona, quando revezava com um colega, pousara nas suas mãos um objeto com o qual não tinha nenhuma experiência – uma máquina fotográfica, com a recomendação de uso. O corredor em processo de descanso, cumprira com o que fora determinado e iniciou sua primeira série de fotos de corrida, sem esperar grandes resultados e consequente aprovação do colega fotografado que corria.

“Bicho, tu tem jeito pra coisa”, essa fora a certificação para o corredor que dali se tornara fotógrafo. Estimulado, autodidata, patrocinado pela curiosidade, descobrira e se encantara com a nova habilidade, nova paixão.

Na fotografia esportiva, Maivan busca inspiração em Marcos Viana – o Pinguim, corredor que participa de provas com a câmera nas mãos, registrando fotos que foram estampadas nas capas de 17 edições da Contra Relógio, uma das maiores revistas de corrida da América Latina.

O trabalho do fotógrafo corredor pode ser melhor explorado no sitio www.maivanfernandez.com.br.

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COMENTÁRIOS
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  1. Pedro Flores Viana

    Bom dia.
    Grande lembrança Drº Flávio! O amigo Maivan é um exemplo de perseverança, força de vontade e prestatividade. Tive o prazer de trabalhar com ele, mesmo que indiretamente, e testemunhar tudo isso. Me ajudou muito em um momento complicado da minha carreira… confiou quando nem eu mesmo sabia se confiava.

    Parabéns Maivan e obrigado pela confiança gratuita meu amigo…

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  2. CARLOS PEDROSA

    PUTS… QUE TEXTO, QUE HOMENAGEM, BEM MERECIDA POR SINAL. PARABÉNS DR. FLÁVIO SARAIVA, PELO TEXTO, E PARABÉNS COMPANHEIRO MAIVAN, PELAS SUAS CONQUISTAS. TENHO TENTADO ME INSPIRAR NA SUA RECENTE HISTÓRIA, MAS A CAMA CONFORTÁVEL TÁ GANHANDO A BATALHA. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ABRAÇO!

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  3. ALFREDO JOSÉ DE OLIVEIRA MADEIRO

    Parabéns Delegado pelo texto! Parabéns amigo Maivan ! Muitos amigos o consideram o “mago da fotografia”. Eu concordo e ainda vou mais além “você é mestre”. Já tive a oportunidade em algumas corridas em ser fotografado por você e lhe digo: ” foi uma grande satisfação e honra ter sido alvo de suas lentes”. Cada fotografia melhor do que a outra. Perfeitas! Deus lhe deu o dom da fotografia, a sensibilidade de focar o melhor ângulo, de ver o melhor momento do corredor e sair uma bela fotografia. Muitos tentam, mas poucos tem o seu dom. Parabéns amigo!!

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  4. Marcos Lima

    Muito merecedor essa lembrança por parte do Delegado Flavio Saraiva, o amigo Maivan além de ser mestre na arte de fotografar, é uma pessoa muito atenciosa com todos, deve ser mesmo um excelente colega de trabalho, lembre- se Maivan, as pessoas podem não se lembrar exatamente o que você fez ou falou. Mas, elas sempre se lembrarão como vocês as tratou.

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