CHAMAS DO TRÁFICO
   Flávio  Saraiva  │     9 de junho de 2015   │     12:48  │  0

CHAMAS DO TRÁFICOOs alagoanos foram surpreendidos na tarde de sábado 06/06/15 com a ocorrência de um ônibus incendiado na Avenida Leste-Oeste, entrada do Conjunto Residencial José da Silva Peixoto, no ponto conhecido como Praça da Macaxeira. O incêndio, segundo apontam as primeiras investigações, teria sido determinado por traficantes locais, em represália à possível atuação violenta de policiais militares que teria vitimado um morador da localidade.

É bom lembrar que não é a primeira vez que criminosos daquela localidade reagem contra instituições do Estado; em 14/12/11, três criminosos atearam fogo em um ônibus da empresa Massayó, no terminal rodoviário do conjunto residencial. Naquela ocasião, o protesto criminoso tinha como objetivo reivindicar melhores condições para os presos no sistema carcerário, alinhando-se ao movimento nacional liderado pela facção criminosa PCC.

Sabendo da relevância da ocorrência, o próprio secretário de Defesa Social Alfredo Gaspar foi ao local para conversar com os moradores – atitude corajosa para uma autoridade em pleno momento de crise – e anunciar a ocupação da área pela polícia militar, assegurando que nenhum traficante seria maior que o Estado.

Momento difícil para o gestor da Defesa Social, logo agora em que as curvas estatísticas do crime apresentam ponto de inflexão, indicando queda de homicídios e outros crimes relacionados com a violência urbana. Policiais civis e agentes penitenciários em greve reivindicando melhores condições de trabalho e salários, fugas e mortes em presídios, e comunidades fechando vias em protesto contra ações policiais, são variáveis aproveitadas pelos criminosos que vão para o confronto, na “queda de braço” com o Estado.

Momento oportuno para o Estado, com todas as suas instituições, apoiar o trabalho do gestor da difícil pasta, envolver o Conselho Estadual de Segurança Pública nas demandas, buscar o apoio das entidades de classe e intensificar as negociações com os grevistas.

Se existem inconformidades na atuação policial que indiquem o uso exagerado da força e outros possíveis desvios, que sejam apurados e os responsáveis punidos, sem exasperação de entidades e ativistas com repetidos discursos de vitimização.

É início promissor de uma gestão que apresenta resultados positivos sem que se registre nenhum investimento financeiro e estrutural significativo, alcançados muito mais pela motivação dos efetivos policiais, impulso que deve ser preservado.

Testemunhei o bom começo de gestores da segurança pública que sacrificaram a confortável vida pessoal para conduzir a pasta, mas, depois isolados e sacrificados nos momentos difíceis.

A segurança é responsabilidade de todos, portanto, seria importante marcar a ocupação com a instalação temporária de unidades da polícia civil e militar, intensificar a divulgação do serviço de Disque Denúncia, convencendo e estimulando a participação de lideranças na busca de soluções, inteligência qualificada para o cumprimento de mandados de prisão na área, melhorar as vias de acesso, iluminação pública e tantas outras ações de cidadania.

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