RISCOS EMPRESARIAIS
   Flávio  Saraiva  │     6 de junho de 2015   │     10:09  │  1

RISCOS EMPRESARIAISHá muito tempo, ao conceber determinado negócio, o empreendedor não levava em consideração os aspectos da segurança pública, querendo dizer, do quadro de ameaças criminosas ao novo empreendimento. Quando muito, cuidava de soluções para a segurança orgânica, com foco no controle de perdas na ambientação interna.

O quadro mudou, e muito, hoje os consultores de segurança são contratados não apenas para a concepção e avaliações pontuais do funcionamento dos sistemas de proteção, mas para a elaboração de quadros prospectivos de ameaças confrontados com as variáveis da segurança pública.

Em tempos de recessão econômica, qualquer custo adicional na operação pode representar sério risco ao negócio, independente da sua grandeza; basta acompanhar o noticiário nacional divulgando imagens de assaltos que vitimam de pequenos comerciantes até grandes centros distribuidores de cargas, invadidos por comboios com mais de 10 caminhões carregados de bandidos bem armados. Proprietários de pequenos negócios registram repetidos assaltos praticados por mesmo grupo de jovens criminosos, inviabilizando a sobrevivência.

Os arrombamentos a caixas eletrônicos demonstram muito bem o quanto o crime pode influenciar determinado negócio. O que era objeto de desejo de empresários, hoje é grave ameaça, com os repetidos arrombamentos explosivos que danificam as instalações comerciais. No Rio de Janeiro, bandidos operam retroescavadeiras roubadas para destruir pequenos negócios que abrigam os equipamentos de atendimento automático.

Fabricantes de grandes marcas são ameaçados pela pirataria, empresas concessionárias de transportes públicos travam luta inglória com os clandestinos, taxi regular enfrenta o lotação e os assaltantes notívagos, distribuidores se digladiam com invasões de áreas de atuação, empresários rurais tem a posse da terra constantemente ameaçada por movimentos sociais, que também interferem nos obras de construção civil urbanas, postos de abastecimento de combustíveis tem horário de funcionamento limitado pelos riscos de assaltos etc.

O poder público que deveria ser o grande protetor do negócio gerador de empregos e impostos, mais das vezes se apresenta como ameaça, materializada na insensibilidade de fiscais envergando jaquetas e distintivos de seus órgãos.

Nesse cenário adverso, adverte Luis Stuhlberger – entrevistado das páginas amarelas da Revista Veja desta semana: “Destrói-se, assim, o que mais teria de ser protegido: o espírito animal de 5%, 10% dos brasileiros, que querem empreender e sustentam todo o resto. É um erro crasso. Se eles morrerem, não vai sobrar ninguém para pagar a conta. Chegamos ao momento em que a vítima não é mais o trabalhador ou o desassistido, e sim o empreendedor. Essa é hoje a questão fundamental, mas ninguém está disposto a lidar com a verdade inconveniente”.

Tags:, , , ,

>Link  

COMENTÁRIOS
1

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. Luiz Antonio Jardim

    Todos concordamos que empreender é cada vez mais complicado no nosso Brasil: de um lado um Estado que lhe cobra legislação sufocante e tributos escorchantes, de baixo retorno. Do outro, surge o custo exorbitante pela derrota da Segurança Pública, onde mais e mais tem que se gastar contra fraudes, assaltos e roubos desde furtos de salão e almoxarifado ao organizado roubo de cargas que fazem fretes e seguros ascenderem patamares nunca vistos. E o mais grave é que empreendedores e colaboradores andam apavorados com sua segurança pessoal, perdendo uma energia do prazer de crescer.

    MUITO BOM DR. FLÁVIO! ! Compartilhei no Facebook.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *