ESCOLA DO CRIME
   Flávio  Saraiva  │     26 de maio de 2015   │     22:30  │  0

infografico-presidios-a-escola-do-crime-originalÉ senso comum que o sistema penitenciário brasileiro não recupera ninguém, sendo a regra a reincidência de criminosos que dali saem para praticar crimes mais violentos e/ou mais qualificados do que o motivador do ingresso na cadeia. As estatísticas oficiais e de organizações quase não governamentais comprovam o efetivo aprendizado criminoso, fato que determinara o reconhecimento das cadeias brasileiras como escolas do crime, instituições que garantem a qualificação dos usuários, ao ofertar as várias oficinas do segmento – estelionato, roubo de cargas e veículos, tráfico de drogas, roubo a banco com ou sem explosivo, sequestro e homicídio.

Vivenciando esse aprendizado em regime integral é incompreensível que algum preso não consiga a diplomação, como também, é inimaginável que ao sair da escola não busque oportunidades no mercado do crime. Eles não tem outra atividade, é comer, beber, estudar, formular teses criminosas, dormir e sonhar com as futuras empreitadas.

Como em todo negócio que se preze, as organizações criminosas também possuem os caçadores de talentos nas cadeias, função mais das vezes acumulada com a de instrutor, mas com previsão no estatuto do crime.

Duas vezes por semana os estudantes recebem a visita de familiares – adultos, adolescentes e crianças, que, não raro, se encantam com o aprendizado e os planos futuros deles. Encantamento que inspira e motiva.

Aos 17 anos de idade estive no antigo Presídio São Leonardo visitando um amigo, usuário de droga, que assassinara um idoso para roubar; passados 38 anos, nada mudou, apenas o domínio exercido pelas facções criminosas. A superlotação é quadro repetido em todas as unidades, quase ninguém trabalha ou estuda conteúdo educacional aproveitável, rebeliões, fugas, mortes, consumo de drogas e formação continuada no crime.

O Estado gasta cerca de R$ 1.600/mês por preso e não cobra nada de retorno, não exige nada de trabalho, então o que esperar? “Mente ociosa é oficina do diabo” e só tem espaço para o crime.

Novidade mesmo só no Estado de Rondônia, uma organização quase não governamental (OQUANGO) apresenta experiência inovadora, conduzindo presos de Porto Velho a Ji-Paraná para rituais espirituais regados a ayahuasca, bebida feita com plantas amazônicas, alucinógena e famosa pelo seu uso nos ritos do Santo Daime. Tem mais, os presos são lambuzados com barro, massageados e submetidos a terapia do cone de fogo no ouvido, acreditando que os ritos ajudam na ressocialização.

A OQUANGO tem nome sugestivo, ACUDA!!!

Danou-se!

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