OFICINA PARA O CORREDOR
   Flávio  Saraiva  │     25 de abril de 2015   │     7:22  │  4

CORREDOR VERA ARRUDAInaugurado em setembro de 2004, o Corredor Vera Arruda surgiu como importante espaço entre os prédios verticais do Stella Maris, com a proposta de ser área de esporte e lazer para os moradores, atrativo turístico e ainda palco de homenagens aos grandes vultos culturais alagoanos. O nome do Corredor é em homenagem à grande estilista que teve sua obra reconhecida mundialmente e tão jovem nos deixou.

De início, o encantamento com o novo espaço, bem iluminado, limpo, as obras artísticas intocáveis, posto de segurança da guarda municipal e frequentes rondas de policiais militares. Depois os traficantes e usuários de drogas descobriram ali grande oportunidade de negócio, implantaram as bocas de fumo com direito a espaço para degustação.

Seguindo a lógica natural, droga atrai bandido, que não trabalha, mas precisa de dinheiro e vai buscar no crime, que vitima os inocentes moradores de todas as idades. O caso mais emblemático foi o homicídio que vitimou o médico José Alfredo Vasco Tenório na tarde de 26/05/2012, atingido por assaltantes que roubaram sua bicicleta.

As obras que homenageiam os artistas estão vandalizadas, o posto da guarda municipal destruído, a iluminação sofre com problemas de manutenção, deficiência que se estende à conservação das árvores, equipamentos para exercícios físicos e brinquedos para crianças.

O texto anterior é conteúdo de nosso post “Corredor do Descaso” publicado aqui mesmo em 02/12/2013.

Em 22/04/15, a Prefeitura de Maceió realizou oficina pública para discutir a requalificação urbanística, funcional e viária do Corredor Vera Arruda, evento que teve a iniciativa da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento (SEMPLA) em parceria com a Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (SEMPMA), objetivando “promover maior integração entre o poder público municipal e os maceioenses”.

Os discursos oficiais seguiram essa linha; o titular da SEMPMA, Davi Maia, afirmando que o local não recebe benfeitorias há 12 anos, prometeu: “Dentro do projeto serão eliminados os pontos cegos da praça, para se obter mais segurança e serão construídos playgrounds para crianças, bem como a abertura de ruas. Também serão recuperados os bancos, calçadas e meio-fio, além de revitalizar o paisagismo do Corredor, com a implantação de árvores e novas plantas”.

Os equipamentos existem e precisam ser recuperados e multiplicados; os pontos cegos permanecem pela absoluta falta de iluminação e poda inadequada das árvores.

O projeto de requalificação prevê a instalação de espaço destinado aos food trucks que, segundo argumentação do superintendente da SMCCU, esse comércio tornaria o local mais movimentado e inibiria a violência; convenhamos, uma incoerência. Otimista, complementa: “Os comerciantes desse modelo de negócio não poderão ficar estacionados no local. Eles terão hora para chegar e sair”.

Cercado por prédios residenciais verticais, o que não falta no Corredor é gente; o que falta mesmo é segurança e presença do poder público, que vai e vem de acordo com a repercussão dos crimes que ali ocorrem.

A abertura das ruas para desafogar o trânsito no horário de pique sugere a preferência  da prefeitura pelos automóveis, desprezando o risco de atropelamento  de crianças que ali trafegam no mesmo horário, entrando ou saindo das escolas e brincando quando a bandidagem deixa. Trata-se de tragédia anunciada.

A oficina precisa de conserto.

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COMENTÁRIOS
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  1. Luiz Ribeiro

    Existe uma preocupação muito grande por parte dos moradores do entorno do Corredor Vera Arruda, no tocante à esse “novo” projeto da Prefeitura. Estão tentando buscar “solução” para o trânsito criando um sério problema de mobilidade e alterando na sua essência a existência do Corredor como alternativa de lazer, de qualidade de vida. É retrocesso e falta de criatividade dos analistas dos órgãos Municipais envolvidos. O simples fato de uma única via das que margeiam o Corredor servir de escoamento para o trânsito já descaracteriza o Corredor. Vamos pensar numa solução que não penalize a população e desembeleze a cidade.

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  2. Ana Roque

    É com grande tristeza que percebo que a oficina realizada no dia 22/03/15, da qual participei, foi apenas um ato para cumprir uma exigência legal. Não notamos qualquer interesse por parte dos responsáveis pelo projeto em rever a questão da abertura de ruas no Corredor. Sequer foi divulgada a opinião da população presente ao evento acerca das propostas apresentadas. Enquanto gestores de cidades do mundo inteiro estão comprometidos em manter seus parques, áreas verdes, praças bem estruturados e com segurança, refletindo em qualidade de vida para as crianças, idosos, enfim, para toda a população, nosso município pensa em desviar o trânsito para uma das poucas áreas verdes que temos. Com certeza existem outras soluções que de fato irão desafogar o trânsito.

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  3. marcos coelho

    O corredor precisa da revitalização, de seguranca e atenção do poder publico, mas não da intervenção do mesmo para a abertura de ruas ou qualquer outra mudança na característica original da praça que é uma área verde e de lazer, e a ideia de trazer pra praça pessoas e carros é uma controversia perigosa que vai na contra mao da maioria das cidades evoluídas que buscam incentivar cada vêz mais pedestres e ciclistas, dando acessibilidade e mobilidade cada vez melhores.

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  4. Fabiano Malta

    O erro da prefeitura em destruir a corredor está claro. A falta de sensibilidade dos gestores para com aquele espaço é presente nesse projeto num princípio ao fim. Não pode a prefeitura cruzar ruas dentro de uma praça! Maceió já é tão carente de espaços desse tipo e a gestão de Rui Palmeira quer acabar com um dos poucos que é mais utilizado pela população. Um absurdo.

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