A DIFÍCIL PRISÃO DE XAROPINHO
   Flávio  Saraiva  │     18 de abril de 2015   │     17:28  │  1

XAROPINHOO assassinato do advogado Rangel Menezes de Oliveira ocorrido em 24/02/15, na Ponta Verde, mobilizou o aparato da segurança pública na elucidação do crime e captura dos criminosos. No dia seguinte o crime estava elucidado, com suspeitos presos e outros foragidos, entre eles, Manoel Firmino da Silva Neto, vulgo Xaropinho, o autor dos disparos que vitimaram o advogado.

A sociedade e suas entidades representativas, parecendo conformadas com a elucidação do crime e identificação dos autores, não cobravam a prisão do foragido XAROPINHO. Mas, no serviço de inteligência da DEIC um compromisso havia sido firmado, “não descansaremos até a prisão do Xaropinho”; sentimento muito especial daquele grupo e razão do seu sucesso em tantas investigações.

Depois de matar o advogado, Xaropinho curtia tranquilamente a vida de fugitivo em Coruripe, na localidade conhecida como Barreiras, com sua namorada grávida e sob a proteção de Michel, traficante de drogas que se encontra preso no sistema penitenciário, mas comanda a região através de seus soldados do crime.

Na noite da segunda-feira 13/04, depois de cuidadosa análise de inteligência, os policiais rumaram para Coruripe objetivando confirmar a localização de Xaropinho, não conseguiram, havia uma inconsistência; perseveraram e logo depois confirmaram o abrigo do matador. Antes disso, o grupo tomou uma decisão que poderia ter determinado a morte deles, definindo que apenas uma equipe com três policiais permaneceria no local; as outras iriam para perímetro mais afastado, para não despertar a desconfiança do criminoso e consequente fuga.

Na manhã da terça-feira 14/04, a equipe que permaneceu no local conseguiu visualizar uma imagem constante em suas mentes, Xaropinho sentado à porta de casa descolorindo o cabelo. Mais uma decisão difícil de ser tomada, chamar as guarnições dispensadas e esperar,  ou partir para cima e dar voz de prisão ao matador. Não dava para esperar, a equipe se aproximou em viatura descaracterizada; desconfiado, Xaropinho levantou-se e, ao receber voz de prisão sob a mira de um policial com arma em punho,  correu casa adentro, pulando o muro do quintal com três metros de altura e ofendículos no topo, mas com curto espaço no canto sem as farpas, onde havia pequena rampa de madeira, tudo devidamente preparado para uma eventual fuga.

Depois do muro, uma mata na qual Xaropinho adentrou seguido pelo policial que lhe abordara, enquanto outro fazia a contenção dos que ficaram na casa, e o terceiro correu saindo da residência tentando, em vão, interceptar o fugitivo.

Xaropinho parecia um atleta olímpico correndo, saltando diversas cercas de arame farpado, ignorando os tiros de advertência e a ordem para que parasse. Em determinado momento, exausto, encontrou ajuda de um homem que acreditara estar livrando o matador de uma tentativa de homicídio, e assim, apontara a melhor rota de fuga. Segundos depois, esse mesmo homem indicou um caminho contrário ao policial que perseguia o fugitivo.

Momento de reavaliação da operação, com a tomada de outra decisão que poderia leva-los à morte. Fase que teria sido eliminada, se no momento em que o policial anunciou a prisão resolvesse atirar no criminoso quando este lhe dera as costas e empreendeu fuga. O profissionalismo prevaleceu. Permaneceram na área, acionaram as demais equipes, apoio aéreo de helicóptero e comunicação constante com o comando da operação. Neste instante, surge a informação de que Michel, direto do seu centro de operações – a cadeia, determina que seus soldados enfrentem a equipe policial que ali resolvera ficar com apenas três homens e distantes da tropa bandida a cerca de 400 metros. Mais 15 minutos teríamos ali uma guerra, podendo ter como resultado a morte de três policiais que resolveram cumprir o dever e não atirar nas costas de um matador. O reforço chegou e os soldados do crime desistiram do combate.

Cerca de uma hora depois Xaropinho estava preso, flagrado em cima de uma mangueira à espera de um resgate prometido por Michel. Trepado na árvore, com ampla visão do cenário, telefonava e enviava mensagens via WhatsApp para os soldados  informando os movimentos da tropa policial.

Na localidade dominada pelo tráfico, Xaropinho gozava de prestígio e segurança, recebia mensagens encorajadoras e que informavam a dinâmica do trabalho policial. Em seu perfil no Facebook (Manoel Firmino da Jatiúca) constam diversas mensagens de amigos e admiradores, alardeando que sua liberdade não tardará.  Não duvido.

Parabéns aos guerreiros da DEIC.

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COMENTÁRIOS
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  1. Dulce Melo

    A prisão de Xaropinho significa que cedo ou tarde os criminosos vão se deparar com as forças policiais que estão atentas. A operação da Deic foi importante, precisa e a equipe de inteligência foi imprescindível. Mas, também parabenizo aqui a equipe do Grupamento Aéreo da Defesa Social que, dos ares, monitorou toda a movimentação do criminoso e também o intimidou com a presença do helicóptero.

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