OS MENORES INFRATORES E AS ESTATÍSTICAS
   Flávio  Saraiva  │     16 de abril de 2015   │     23:04  │  4

OS MENORES INFRATORES E ESTATÍSTICACom o título Mito: “Adolescentes cometem menos de 1% dos homicídios e são 36% das vítimas”, o portal nacional dos delegados (www.delegados.com.br) apresenta a realidade sobre os números estatísticos divulgados acerca da participação de menores em crimes de homicídios. Objetivando preservar o estudo e não correr o risco de erros de interpretação, transcrevo alguns pontos considerados elucidativos:

1 – Nas últimas semanas, o Globo, a Folha de S. Paulo, o Diário de S. Paulo, a revista Exame, o portal Terra, a edição impressa de Veja e quase todas as ONGs e políticos contrários à redução disseram que menos de 1% dos homicídios no Brasil são cometidos por adolescentes. A Folha reproduziu o dado num editorial e em pelo menos dois artigos, de Vladimir Safatle e Ricardo Melo.

2 – Mário Volpi, técnico do Unicef, órgão que teria chegado à mítica estatística, admite que “hoje ninguém sabe quantos homicídios são praticados por esse jovem de 16 ou 17 anos que é alvo da PEC 171/1993.”

3 – Acredita-se que a lenda do 1% de crimes cometidos por adolescentes tenha surgido em 2004, através de um estudo de pesquisador da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmando que menores de idade eram responsáveis por 0,97% dos homicídios e 1,5% dos roubos.

4 – O erro da pesquisa foi calcular a porcentagem de crimes de menores em relação ao total de homicídios, e não ao total de homicídios esclarecidos. Sabe-se que de cada 100 homicídios no Brasil, apenas oito são esclarecidos, e que desses oito um foi cometido por adolescentes, chegando-se ao percentual de 12,5%.

5 – Ainda segundo a matéria, esse percentual de 12,5% se aproximaria dos de outros países: Estados Unidos, menores praticaram 7% dos homicídios de 2012; no Canadá, 11%; na Inglaterra, 18% dos crimes violentos (homicídio, tentativa de homicídio, assalto e estupro) vieram de pessoas entre 10 e 17 anos.

6 – Finalizando, o portal nacional dos delegados registra outro equívoco estatístico, quando se compara uma faixa etária muito estreita – jovens entre 15 e 17 anos – com uma muito ampla – qualquer adulto com mais de 18 anos; demonstrando que o segundo grupo é bem maior. Mas, se confrontadas faixas etárias equivalentes, a violência é similar. Cita o exemplo de brasileiros entre 35 e 37 anos, também responsáveis por uma pequena porcentagem de assassinatos, e questiona: “deveríamos deixar de condená-los, já que a prisão deles não resolveria o problema de violência no Brasil?”

No post anterior, afirmei que o dado estatístico era difícil de acreditar quando confrontado com a realidade; agora, as razões da desconfiança.

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COMENTÁRIOS
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  1. Ricardo

    Testo muito esclarecedor, Parabéns. Porém, infelizmente pouco se fala sobro à desocupação dos menores, os quais são recrutados pelos criminosos porque não estão nas escolas, praticando esporte, brincando e etc… Os reais problemas, falta vergonha política e povo que efetivamente exercite democracia.

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