FUGA DE PRESO
   Flávio  Saraiva  │     11 de março de 2015   │     8:57  │  2

FUGA DE PRESOFuga de presos é assunto recorrente nas páginas policiais e, por ser assim, a notícia de que oito presos que estavam encarcerados na Delegacia de Atalaia conseguiram fugir na terça-feira (10/03), não é nenhuma novidade e sem previsão de solução.

Não é a primeira vez e, se não mudar o cenário, continuarão acontecendo fugas naquela delegacia. Trata-se de prédio adaptado para funcionamento de órgão policial com custódia de presos, com o agravante de pouco efetivo para a atividade.

No começo deste ano, passei por lá à noite para acompanhar os resultados de uma operação que conseguira prender assaltantes e homicidas que agiam na região, sendo recepcionado por um único policial que se encontrava de plantão; seu colega de escala estava ausente por razões não apresentadas.

Naquela noite, havia 18 presos na frágil carceragem, o plantonista falava baixo sobre a solitária jornada e reagira indignado com a possibilidade da chegada de mais hóspedes indesejáveis.

Quando diretor de área policial, em visita de inspeção, constatei a mesma cena na delegacia de Cacimbinhas, situada às margens da rodovia BR-316, com cerca de 20 presos sob a guarda de apenas um heroico policial, que revelara sua preocupação com rebelião, fuga, ser tomado como refém e ainda ser responsabilizado penal e administrativamente. Não muito distante dali, mas o suficiente para não apresentar nenhuma possibilidade de intervenção rápida, policiais militares abrigados em outro prédio locado, significando gasto público para a insegurança. O incompreensível arranjo administrativo e operacional acontecia quando o então secretário de defesa social empurrava de goela abaixo a integração das atividades policiais, interessante e necessário modelo que não passou das periódicas e improdutivas reuniões de acompanhamento dos resultados (?).

Em Atalaia, a delegacia funciona no Centro da cidade e a unidade policial militar na parte alta, distância confortável para não se envolver com a custódia de presos; separação que se repete na maioria dos municípios, com flagrante divisão de (ir)responsabilidade.

Uma coisa é certa, os policiais plantonistas e o delegado irão enfrentar sindicância administrativa e inquérito policial, com prejuízos funcionais óbvios.

 

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COMENTÁRIOS
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  1. Andre Ribeiro

    Mais um grande artigo! Posso complementar que em Atalaia, que neste ano já icorreram 09 assassinatos, a Delegacia de Polícia tem seu quadro total 09 policiais, incluso o Delegado, para todo tipo de ação, incluindo plantões na Regional. A PM tem 106 homens. Mesmo parecendo uma disparidade, e em verdade é, se tivéssemos lotados 30 policiais civis, saberíamos o resultado do combate à criminalidade, com vistas a investigação. Por outro lado é desumano a situação dos presos e policiais, é ilegal, é irracional, mas Deuses da situação, em especial quem deveria fiscalizar, proceder a devida execução e cobrar do Estado, é conivente, e com ele muitos o são tb!
    Só pra constar, em 2014 foram 7 fugas! Tem um dos presos que já fugiu três vezes, e ainda no dia 04/03 ocorreu uma tentativa, ou seja, quem é conivente? O Agente Policial obrigado ali ficar, ou ???

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  2. Ricardo

    Parabéns Digno Flávio Saraiva, pelo excelente artigo. Assunto de relevante importância para ser debatido, pois, há situações que urgem por correções para que possa haver melhora na segurança Alagoana. O problema esta na falta de obediência às normas que regulamentam as atribuições dos profissionais da área de segurança; se o Promotor, efetivamente, fiscalizasse o devido comprimento das normas existentes, cobrando dos verdadeiros responsáveis; se o Policial Militar prestasse seu serviço de prevenção se fazendo presente ostensivamente para manter a ordem, evitando cometimento de muitos crimes; se houvesse Agentes Penitenciarias realizando a competente custodia dos presos; se os Policiais Civis pudessem desempenhar seu mister de investigar os crimes já cometidos; acredito que o atual quadro da segurança pública seria outro. Porém, o que vemos são normas sendo desrespeitadas, ao arrepio da lei, e nada acontece, Policial Militar descaracterizado realizando investigações; Insuficiente quadro de Agentes Penitenciários; Agentes de Polícia tomando conta de preso, de prédio e trabalhando em escala de 24 horas. Assim, realmente não pode haver outro resultado.
    Manifesto também, minha anuência ao comentário feito pelo André Ribeiro, porém, acrescento que o problema principal da PC não esta no efetivo, e sim no seu emprego. Nove (09) policiais civis diariamente trabalhando em investigação acarreta colossal produção de conhecimento. O problema é que não estão podendo produzir conhecimento em virtude do efetivo desvio de finalidade, no qual não possui nenhuma capacitação para exercer, fato que agrava a situação. E tudo acontece com anuência dos que deveriam coibir.

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