O FANTASMA DO SEQUESTRO
   Flávio  Saraiva  │     5 de março de 2015   │     23:45  │  0

O FANTASMA DO SEQUESTROO sequestro do gerente de uma agência do Banco Brasil no município de Junqueiro revela o perigo que nos ronda, mesmo na modalidade “relâmpago”, sem uso de cativeiro e exigência de pagamento de resgate da vítima. Abordado na porta de casa, o bancário fora obrigado a acompanhar os dois criminosos que anunciaram o crime, deixando-o em outro local depois de entregar dinheiro e o veículo.

Só a notícia do crime de sequestro já assusta muita gente, e com razão, não faz muito tempo que o Estado enfrentava criminosos especializados na modalidade, vitimando várias famílias. O esforço conjunto das polícias, ministério público e justiça determinou grande número de prisões de sequestradores e o fim das ocorrências; depois, alguns desavisados insistentes tiveram mesmo destino.

A mídia nacional noticia alguns casos de sequestros que sugerem revelar uma nova modalidade do crime, a vítima sendo levada com o próprio veículo que se transforma em cativeiro móvel, permanecendo com os criminosos tempo bem maior que os sequestros relâmpagos. As vítimas estão sendo selecionadas em shoppings e levadas para a área de segurança dos bandidos, geralmente a periferia das grandes cidades, ambientação em que são planejadas e executadas as operações de compras de objetos e saques de dinheiro das contas bancárias.

No Rio de Janeiro, a polícia conseguiu identificar dois criminosos praticando a nova modalidade de crime, sendo que um deles possuía registro criminal pela prática de sequestro, fato que merece atenção especial das forças policiais. Como é do conhecimento de todos, o crime migra e o surgimento de uma nova modalidade se propaga com grande rapidez.

Com o exposto, pretendo alertar aos gestores policiais sobre o perigo que nos ronda, ensejador de ações de inteligência que intensifiquem o acompanhamento de sequestradores no cumprimento de suas penas, dos que progrediram para o regime aberto e os livres, pois, como sabemos, o criminoso dificilmente muda de crime, diversifica apenas o modus operandi.

Lembro-me da investigação do sequestro de um funcionário público em que o negociador tivera sua voz logo identificada por experiente policial civil que, perplexo, exclamara: “o que é que o Coroa (vulgo do sequestrador) tá fazendo agora negociando… Ele não é disso… Ele é da pegada da vítima”.

Esse mesmo Coroa, campeão de fugas do sistema penitenciário, numa delas, passados poucos dias, fora novamente preso na tentativa de sequestro de um taxista; não tivera tempo de gozar a sensação de liberdade, a tentação do crime era maior.

São muitos os exemplos de fidelidade à modalidade criminosa, bom para os investigadores que, com as prisões sucessivas, infelizmente constatam a falência do sistema que pretende ressocializar.

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