GRUPOS NA POLÍCIA CIVIL
   Flávio  Saraiva  │     14 de janeiro de 2015   │     23:11  │  11

GRUPOS NA POLÍCIA CIVILO blogueiro Davi Soares publicou post com o seguinte título: “Mágoa, desunião e contradição criam equação difícil na segurança pública de Renan Filho”.

O texto discorre sobre a dificuldade que o governador Renan Filho teria enfrentado no processo de definição do promotor Alfredo Gaspar para o comando da Defesa Social. Este, por sua vez, teria outro enfrentamento, a divisão das forças policiais em “grupos políticos formados por agentes de segurança que rivalizam com intensidade preocupante”.

Na polícia militar, destaca a rejeição ao coronel Lima Júnior, motivada por possível ligação com o ex-secretário, juiz Diógenes Tenório, bem como à sua suposta participação na exoneração do ex-comandante coronel Pinheiro. Não conheço os fatos, mas reconheço o profissionalismo dos dois oficiais.

Na polícia civil, aponta rejeições à nomeação do delegado Paulo Cerqueira, escolha que teria gerado desconfiança e mágoas, identificando-me como um dos magoados, em razão de ter participado de entrevista com membro da equipe de transição e preterido na escolha.

Meu caro Davi, não tenho esse direito.

Nunca lutei pelo cargo de delegado geral ou secretário, fui sondado algumas vezes, processo que me afastava de quem tinha o poder de nomear, por absoluta fobia ao possível entendimento de insinuação. Formatei conteúdo curricular para que, se algum dia fosse convidado, estivesse em condição de cumprir a honrosa missão, mas não veio.

É possível que alguém tenha ficado magoado por não ter sido “o escolhido”, mas não sou eu. Aposentado, pedi exoneração do cargo em comissão que ocupava para o cumprimento de novas missões.

Fala-se de grupos na polícia civil da forma mais pejorativa possível, como se fossem quadrilhas articuladas para elevar algum integrante à condição de “capo”. Não consideram o fato de a polícia realizar concursos em intervalos superiores a 10 anos, dividindo a classe em novos, “seminovos” e velhos dinossauros como eu. É processo natural.

E por falar em velho, com muito tempo de serviço, policial é o único servidor cuja longa experiência é adjetivada de vício; nas demais, o profissional longevo é renomado, experiente, expert etc.

O delegado Paulo Cerqueira, “seminovo”, tem perfil conciliador, mostrou essa qualidade em gestão anterior, mantem delegado velho na sua equipe de trabalho e foi o formador de todos os novos, portanto, não há razão para desconfiança.

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COMENTÁRIOS
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  1. AYORYA

    As divisões da segurança pública só vão acabar no Brasil quando a força policial se parecer com as polícias dos países mais avançados. Polícia (com competência estadual) tem que ser única, de ciclo completo e carreira única. Quando isso ocorrer, nem que seja sexta-feira da paixão do ano 2090, teremos um salto na qualidade da nossa polícia, mas isso é um projeto para um país sério e não para essa coisa chamada brasil(minúsculo).

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  2. Pedro

    O blogueiro Davi Soares publicou post com o seguinte título: “Mágoa, desunião e contradição criam equação difícil na segurança pública de Renan Filho”. Davi Soares tem toda razão, há sim grupos de delegados inconformados com a escolha de Paulo Cerqueira. É preciso muito cuidados para que os mais esperto não tente derrubá-lo, como já aconteceu outra vez, retirando de Paulo Cerqueira do poder. É preciso gente que todos tenha consciência de que o foco importante é diminuir a violência e não brigar por poder. A sociedade precisa respirar, viver, voar….

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  3. Kleber Ivo

    Com certeza se fosse escolhido representaria bem classe dos Delegados da Polícia Civil Alagoana, por ser um profissional competente e detentor de um currículo excelente.

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  4. José fausto

    Pois é Caro Delegado nas poucas vezes que conversei com sus pessoa posso dizer quê eis um pequeno universo em si mesmo de conhecimento e experiência. E fica na nossa vida o legado que deixamos. Que Deus e ,sem demagogia, ilumine e de sentido aos que ficam na luta.

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  5. Luiz Alfredo

    Excelente texto e reflexão Dr Flavio,
    Com certeza preparo Vossa pessoas tem de sobra, porém com tantas amarras e engessamento nas forças policiais e a glamourização da bandidagem o senhor teria que lutar contra a bandidagem e contra o sistema politicamente correto que protege a bandidagem, sinceramente não sei quais dos dois é mais perverso e bem articulado.Enquanto isso segue a carnificina e o faz de contas.

    Abraço e parabéns.

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  6. fred

    Meu caro, e grande pessoa, é lamentavel esse ponto de vista desse jornalista, sempre falo e repito: – As pessoas falam do que eles não sabem, o jornalista *nobre*, deve ,sim inteirar dos fatos e ter sua opinião voltada para o fato, e quando dá opinião vem de forma pífia, que coisa.

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  7. Deraldo Francisco da Silva

    Caro Saraiva, sei que de sua parte, conhecendo-o como eu o conheço, não há espaço para esta história de mágoa. Considero o amigo preparado tecnicamente, bem mais que o “seminovo” Paulo Cerqueira, que é um homem de bem, honesto e conciliador. Não são todos os setores da imprensa que consideram o policial experiente um viciado. É natural: quanto mais tempo na instituição, mais experiência. Você sabe o quanto lhe respeito e lhe considero. Mas, permita-me sair em defesa do colega Davi no quesito “grupos na Polícia Civil”. Acredito que o colega não se referiu a quadrilhas, mas a equipes mais unidas na gestão da Polícia Civil, nas investigações, nas operações, na troca de informações e até nas eleições da Adepol. Isso existe. Não sei se o amigo se lembra, mas houve uma época (década de 90), que delegados de um grupo mandavam seus policiais arrastarem os cadáveres de sua jurisdição para colocar na do “colega”. Ou seja, na área de integrante de outro grupo. Há delegados em Alagoas que não se pode lembrar do nome dele sem se lembrar do outro, e do outro, e de mais um. Isso é natural. Desde que tal grupo não conspire contra o delegado-geral nem contra a sociedade, como já aconteceu em tempos idos. Graças a Deus, tempos idos.
    Amigo, a investigação policial em Alagoas foi que perdeu com a sua aposentadoria.

    Um abraço e um 2015 de muita tranquilidade!

    Deraldo

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  8. carlos

    Dr. Flávio, certamente o Sr. deveria ter sido o escolhido pois tem competência pra administrar a polícia civil como poucos. Infeslizmente nosso Governador não pensou assim e escolheu “politicamente” o Delegado Geral. Por isso a surpresa de todos pois havia se falado em escoha técnica… Fazer o que?? Só Jesus salva!

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  9. Eber Ivo

    Qualquer grupamento humano necessita de opiniões divergentes, sob pena de se transformar em burrice ou ditadura do pensamento único. Antes de ennfraquecer ou denegrir, as divisões internas mais fortalecem a instituição.

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