A TERCEIRIZAÇÃO QUE NÃO DEU CERTO
   Flávio  Saraiva  │     28 de novembro de 2014   │     11:29  │  1

TERCEIRIZAÇÃONos anos 90, o Estado de Alagoas firmou convênio com o governo federal objetivando a construção do Presídio Baldomero Cavalcanti, ofertando como contrapartida vagas para criminosos de alta periculosidade de outros estados. Muitos bandidos famosos foram transferidos para cá, trazendo com eles poder de articulação adquirido com a formação do PCC – Primeiro Comando da Capital, facção criminosa que tem o claro objetivo de comandar o sistema penitenciário e dali fazer a central de comando de crimes além muros.

A primeira consequência foi a formatação de uma nova relação entre presos e gestores do sistema, com aumento significativo de fugas e rebeliões, com rastros de destruição e mortes, algumas destas com requintes de perversidade e desafiadoras, a exemplo da decapitação de um detento e arremesso da cabeça nos pés do então secretário de segurança pública.

A desordem no sistema penitenciário demandou movimento inverso, inicialmente devolvendo os famosos sequestradores e traficantes oriundos da contrapartida na construção do Baldomero Cavalcanti; depois, já com o funcionamento de presídios federais, a transferência de presos do estado que desafiavam a convivência no cárcere. A movimentação tornou-se praxe, que na prática originou prejudicial sistema de intercâmbio criminoso.

Nos presídios federais só gente com ficha criminal de causar medo com uma simples leitura, alguns fundadores do PCC e de outras facções criminosas do Rio de Janeiro – Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando e Amigos dos Amigos (ADA).

As facções se uniram na grande missão de comandar os presídios de todo o país, facilitada pelo intercâmbio proporcionado pelos estados. Assim, criminosos alagoanos desarticulados cumprem estágio com instrutores organizados e especializados, voltando com extenso dever de casa a ser cumprido no final, o “Trabalho de Conclusão do Curso” (TCC).

Os “estagiários” trouxeram o sentido de pertencimento à poderosa organização criminosa, dando cumprimento ao rigoroso estatuto que determina as regras de convivência no cárcere; quando contrariados, rebeliões e destruição nas instalações, seguidos de protestos de familiares bloqueando rodovias quando o estado reage limitando “direitos”, ou seja, impedindo fugas, regalias, visitas íntimas, revistas rigorosas etc.

Trata-se de infeliz terceirização de responsabilidade na custódia de presos desde a recepção de criminosos organizados; continuada, em sentido inverso, com o envio de delinquentes caetés para estágio em presídios federais, onde são recepcionados pelos “doutores” do crime, extremamente didáticos e disciplinadores.

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COMENTÁRIOS
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  1. Roberto Theodosio Brandão

    Determinadas áreas da administração pública são restritas as CARREIRAS DE ESTADO. Polícias,Fiscais de Renda,etc. É impossível, anti-ético e imoral por exemplo colocar a Fiscalização da Receita Federal nas mãos de empresas terceirizadas. O mesmo caso se aplica aos presídios federais, estaduais e outros. O resultado não poderia ser bom.Os dirigentes estudam tanto para nada ou o fazem com o propósito de tumultuar.

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