A PERÍCIA DA ARMA QUE MATOU IZABELLE
   Flávio  Saraiva  │     15 de outubro de 2014   │     6:51  │  14

militar_baleadaDia 09/10/14, quinta-feira, jornalistas e familiares aguardavam as revelações do laudo pericial confeccionado pelo perito criminal Ricardo Leopoldo sobre o funcionamento da submetralhadora Taurus nº 04151, na ocorrência que resultara na morte da Soldado PM Izabelle em 30/08/14.

 Lembro ao leitor do blog, da conversa que tive com experiente policial militar com mais de 20 anos de serviço, treinado nas melhores escolas operacionais do país e internacionais, que testara a Taurus SMT-40 e registrara o  que segue:

1 – A arma apresenta dispositivo de segurança que permite ao atirador 04 opções de operação: S – segurança, 1 – intermitente (apenas 01 tiro), 2- rajada limitada a 02 tiros e F – rajada plena, disparando todos os cartuchos disponíveis no carregador;

2 – Em S – segurança, a arma funcionou bem, sem incidentes, mesmo simulando possíveis manejos inseguros;

3 – Quando selecionada a opção 1 – intermitente, bom funcionamento, com apenas 01 disparo a cada acionamento da tecla de gatilho;

4 – Na   opção 2 – rajada limitada, a arma apresentara defeito, disparando como se estivesse selecionada a opção F – rajada plena;

5 – Completara, informando que a corporação recomendara ao fabricante que retirasse a opção rajada plena das armas entregues, e assim foram recebidas.

Afirmando que a submetralhadora examinada apresentava péssimas condições de manutenção, o perito Ricardo Leopoldo concluíra que a arma da empresa Taurus só dispara com o acionamento do gatilho. Importante definição para a elucidação do fato investigado. No entanto, acredito que a perícia poderia contribuir ainda mais, reproduzindo os testes realizados pelo experiente policial, examinando a trava de segurança do gatilho, o tiro intermitente e, principalmente, a rajada limitada a 02 (dois) tiros.

Se a opção de rajada limitada a 02 (dois) tiros não apresentasse defeito no funcionamento, o possível acidente não passaria de dois orifícios de entrada de projeteis, aos quais Izabelle poderia resistir e sobreviver. Como consequência, outros questionamentos poderiam ser dirigidos aos demais componentes da guarnição e ao fabricante, buscando justificativas para os 17 (dezessete) disparos que determinaram a morte da jovem policial.

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COMENTÁRIOS
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  1. Aarão José

    Caro delegado Flávio Saraiva participei da coletiva e todos estes testes foram realizados pelo perito Ricardo Leopoldo. No laudo que possui mais de 20 páginas e que foi enviado para o delegado responsável pelo caso, estão todos esses resultados, com várias informações que com certeza respondem a esses questionamentos. Mas como sempre a imprensa só divulgou aquilo que a interessa. Um grande abraço e parabéns pelo blog.

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    1. Junior

      Vou mais além delegado, se os procedimentos de segurança tivessem sido respeitados, nem disparos teriam atingido ela!! A arma podia dar 1.000 tiros e nenhum teria tocado nela! Esse ponto ninguém comenta, por que delegado?

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  2. José Cavalcante

    Prezado Delegado, todos os testes que o senhor citou foram realizados e em nenhum deles a arma trabalhou de forma diferente do que foi projetada. Com a falta da manutenção uma peça (mola) estava com muita sujeira e ferrugem então o Perito simulou a trava essa mola, que poderia ocorrer devido à ferrugem e a sujeira, e colocou o dispositivo de segurança na posição 2, quando acionou o gatilho a arma disparou os 30 projéteis (rajada), então ele afirmou em seu laudo que a falta da manutenção poderia causar a trava dessa mola que acionaria a rajada, mas o gatilho deveria ser acionado. Acredito que se a arma estivesse em dia com sua manutenção a arma teria disparado no máximo 02 tiros que poderia não ser suficiente para matar a Izabelle. Acredito na competência do delegado responsável pelo inquérito e a verdade vai aparecer. Abçs.

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    1. Junior

      Sim, entendo, mas a cada dia a arma fica mais suja não? Então como no dia ela poderia ter apresentado o problema, e hoje mais suja, não apresentou! Então a perícia está correta!

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  3. Ricardo Leopoldo Barros

    Caro Flávio Saraiva a respeito do que o senhor publicou no seu blog gostaria de esclarecer alguns pontos:
    01 – Realizei vários testes na submetralhadora TAURUS SMT 40 nº EZ 04151, arma esta que mim foi enviada para exame.
    02 – Como Perito Criminal do Núcleo de Balística Forense realizei vários cursos em Balística em vários estados da federação.
    03 – Com relação a arma de fogo submetralhadora TAURUS SMT 40, eu não apenas afirmei que a mesma só disparo com o acionamento do gatilho, afirmei muito mais que isso.
    04 – Com a arma de fogo supracitada realizei os seguintes testes:
    a) Teste de Eficiência e Funcionamento;
    b) Teste de Queda Livre de Arma de Fogo;
    c) Teste de Tração do Gatilho;
    d) Teste de Vibração;
    e) Teste do Sistema de Segurança “S”;
    f) Exame de Micro-comparação Balística (estojos e projéteis).
    Efetuei 500 (quinhentos) tiros com a submetralhadora examinada com a tecla na posição “1” intermitente, “2” rajada limitada, a mesma não apresenta a opção “Rajada FULL”.
    Caso o senhor tenha alguma dúvida em relação ao Laudo Pericial elaborado por mim solicite uma cópia ao IC.
    Atenciosamente:
    Ricardo Leopoldo Barros
    Perito Criminal.

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  4. Luiz Alfredo

    A partir do momento em que o perito afirma que a arma estava em péssimo estado de manutenção e que é notório que as viaturas alugadas não possuem suporte para transporte e fixação de armamento, paro e me pergunto e se houvesse areia ou qualquer outro corpo estranho no alojamento do gatilho? Será que depois da rajada e trepidação dos tiros a arma não teria outro comportamento ? Será que os carregadores e munições utilizados na perícia são os mesmos que a tropa usa ou seja em péssimo estado haja visto que são armados e desarmados ao final de cada plantão?
    No caso em questão acho muito fácil jogar a culpa os combatentes pois pelo que foi informado nem mesmo os projéteis extraídos da falecida foram periciados.
    Mais uma briga justa tres militares x Taurus multinacional

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    1. Evandro

      Deixa ver se entendi! Estão dizendo que a arma poderia ter dado problema por sujeira? E a fábrica é que vai responder? É obrigação da fábrica limpar a arma? Não entendi a briga justa! Se o perito falasse que poderia ter dado problema por um motivo mecânico aí eu entenderia melhor essa lide! E mais, você fala que depois dos tiros a arma ficou limpa, qual arma fica limpa depois de atirar? A lógica é essa? Estranho sua conclusão! Areia? Desde quando carregador faz arma rajar ou não? Ao contrário, panes de carregador são panes de alimentação, não de percussão! E não está se jogando a culpa nos combatentes não, Mas dizer que eles seguiram todas as normas de segurança é piada de mau gosto! A perícia foi a mais clara até agora em comentários!

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  5. Luiz Alfredo

    Prezados,
    Quando me referi a possibilidade de ter areia ou mesmo qualquer tipo de corpo estranho no gatilho e esses atuarem como uma espécie de trava impedindo o retorno ou expansão da mola que poderia ter saído após os disparos devido ao recuo e inércia da arma, porém qualquer suposição sobre o caso parece que serve para fomentar desconfianças a cerca da tragédia.
    Quando mencionei problemas no carregador foi pelo fato de que o padrão de qualidade dos fabricantes nacionais não chegam nem perto de uma Glock por exemplo. Deixo como sugestão o seguinte vídeo.http://www.youtube.com/watch?v=K5F_rGLMfUQ

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  6. Evandro

    Ah entendi! você quis dizer o óbvio? só isso? que o carregador da Glock é de polímero? mas você está dizendo que porque o carregador é de chapa de ferro a arma deu problema? é isso? então qualquer arma com carregador de chapa de ferro ou alumínio não presta? e dá pane de rajada em virtude do carregador? não entendi de novo amigo, a culpa é do carregador? é isso? então armas com carregadores de polímero não dão problema? tem certeza? com base em que você diz isso? você garante isso? não entendi de novo, desculpe! ah só pra informação, o vídeo é de uma Metralhadora TAURUS FAMAE, a MTR do caso é outra, uma SMT 40 TAURUS, mecanismos completamente diferentes, armas diferentes, de igual só o calibre, mas acho que isso você já sabia! e no vídeo, fica claro que é um problema de percussão, ao fechar a arma ela inicia os disparos, SEM APERTAR O GATILHO, ou me enganei?

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  7. Observador

    O laudo diz que a arma apresentada estava suja de pólvora ou seja foi mesmo disparada antes do estudo técnico do seu funcionamento?
    Um perito forense fez mesmo o exame em uma arma sem ter os projéteis extraídos do corpo da vítima, sabendo-se que tanto as cápsulas quanto os projéteis são como uma impressão digital de uma arma?
    Essa arma estava acautelada no nome de Izabele?

    Uma tragédia pós outra….
    Aguardo respostas,se possível for.

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    1. Ricardo Leopoldo Barros

      Caro observador a arma periciada apresentava sujeira e ferrugem.Foram localizados no interior da viatura 15 (quinze) projéteis e 33 (trinta e três) estojos (o nome correto é estojo e não cápsula) (vinte e oito) estojos foram percutidos pela submetralhadora periciada, 3 (três) por uma das pistolas que estavam na viatura e os 2 (dois) outros estojos eram do calibre .38 (estes dois estojos provavelmente estavam na viatura a muito tempo e não tem relação com o caso. A arma estava acautelada em nome de um dos policiais.Foi realizado exame de micro-comparação balística nos projéteis e nos estojos.
      Ricardo L. Barros
      Perito Criminal

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  8. Neomar

    Prezado Perito Criminal, Ricardo Leopoldo Barros.

    Não temos, ao menos aqui, a informação da forma que essa arma estava na viatura (se no banco, no chão, sendo empunhada por algum dos policiais), mas uma coisa posso lhe afirmar, que eventual queda da arma deve ser considerada e, os testes (ensaios) realizados devem retratar a realidade e dinâmica dos fatos, ou seja a realização de simulação fidedigna das circunstâncias que envolvem o fato, pois o teste de queda livre a que são submetidos os protótipos de armas (ref. NEB/T E-268 e NEB/T 267A) pode conter grave falha em razão de dois aspectos:
    1 – Utilização de manta de borracha, espessura de 25mm. (dureza Shore ‘a’ entre 50-60).
    2 – Utilização de estojo apenas espoletado (sem carga de projeção e sem projétil).

    Essas duas condições certamente mascaram a realidade de uso de uma arma de fogo e efeito sobre a arma no momento da queda.

    Portanto, se o teste de queda foi feito considerando esses dois aspectos, com todo respeito, posso lhe afirmar que o teste de queda livre contem vício, pois o adequado seria a simulação da queda em piso conforme local da ocorrência e cartucho espoletado original, sem a carga de projeção, mas com o projétil de mesma configuração de uso, (ETTP – EXPO) estado ainda o carregado com munição de manejo (plena capacidade).

    Gostaria apenas de contribuir com essas informações, afim de poder auxiliar no esclarecimento e podermos propiciar melhorias e aperfeiçoamento dos métodos utilizados, seja na aprovação de protótipos de armas e também em perícias balísticas.

    Respeitosamente.

    Neomar Christian Potuk

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  9. JOAO BAPTISTA

    Nao acompanhei a ocorrencia e, nos comentarios acima, nao ficou claro se os disparos efeutados por citada arma foram no interior de uma viatura, qual viatura e de que forma a arma estava condicionada.
    pelo que sei, uma arma, automatica ou nao, quando disparada, pelo seu poder de recuo (apos os disparos) ela nao ficaria na posiçao inicial, ou seja, a cada disparo ela mudaria a trajetoria do disparo seguinte, mesmo sendo empunhada, se o atirador nao a segurar firmemente ela tera mudanças bruscas de direçao, quanto a manutençao da arma, os batalhoes de policiamente, nao dispoem de material adequado para tal procedimento (salvo excessoes) portante, dependendo do numero de armas desse tipo nao teria sido feita tal manutençao, podendo, portanto, ser armazenado no seu dispositivo de disparo (gatilho, e teclas de segurança) sujeira que poderiam causar acidentes.

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