DEVER E PRECONCEITO
   Flávio  Saraiva  │     13 de outubro de 2014   │     7:48  │  1

MANASSÉSEm atendimento a ação movida pelo Ministério Público Estadual, o juiz de direito Luciano Andrade de Souza, titular da 7ª Vara Cível da Capital, determinou o fechamento da Instituição Social Manassés, localizada na Rua Arthur Alvim Câmara, bairro da Jatiúca.

A instituição, com filiais em outros estados, propõe o tratamento de dependentes químicos, através de métodos questionáveis, já apresentados em outros posts neste blog. Mas, não custa nada lembra-los.

Os dependentes chegam à instituição e passam por período de clausura em prédio residencial, abrigando cerca de 30 homens com idades variadas. Na clausura, muita reza, jogos de sinuca, dominó, boladas nas paredes dos prédios vizinhos, gritaria na piscina e olhares em busca de torcida e, talvez, aplausos. O que não está aberto ao público é o trabalho interno na confecção dos kits que são postos à venda no interior de ônibus e nas ruas da cidade, cena que se assemelha ao célebre filme Tempos Modernos de Charlie Chaplin.  Relação de trabalho não vista pelos órgãos fiscalizadores.

Refeições são feitas nas ruas, pagas com o dinheiro arrecadado nas vendas dos kits, tudo contabilizado nas prestações de contas diárias. Os dependentes químicos vendedores saem às ruas com uniforme da instituição, sem nenhuma proteção para a atividade.  O dinheiro no bolso é o poderoso gatilho que poderá determinar a volta do dependente ao consumo de droga.

Manassés funciona como se fosse presídio em regime semiaberto, trabalho nas ruas durante o dia e reclusão à noite, com quatro orações do Pai nosso, com o firme propósito de que sejam ouvidas por todos os vizinhos. Depois das orações, os diálogos se assemelham aos ouvidos no cárcere, dependentes tratando uns aos outros como se estivessem num ponto de venda e uso de drogas.

 A instituição fora flagrada fazendo gato para furtar água, autuada pela polícia que resultara na prisão de dois dependentes, pegos no momento em que montavam o dispositivo criminoso.

Em entrevista concedida à Gazeta de Alagoas, um dependente químico usuário da instituição afirmara que as denúncias recepcionadas pelo Ministério Público são frutos do preconceito de moradores de outro nível social, que não querem os trabalhadores de Manassés como vizinhos.  Discurso repetido por aqueles pegos em situação irregular pelos órgãos fiscalizadores, confundindo dever legal com preconceito.

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COMENTÁRIOS
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  1. Andre

    Nobre Delegado, diante de tudo que foi exposto acerca do fato em alusão achei necessário expor meu ponto de vista, acredito nas palavras acima, como também no que foi colocado pela Autoridade Judicial citada, acredito que realmente a instituição usa de recursos não convencionais para o suposto “tratamento”, inclusive, acredito que estes jovens podem estar sendo usados para a obtenção de lucro para a instituição, no entanto, vejo e observo esses jovens nos ônibus e digo, eles realmente parecem estar movidos pela fé, não por um programa de desintoxicação e acompanhamento psicossocial, mas pelo que move multidões a basílicas como no caso de Santa Aparecida, simplesmente a fé. Percebo que os dependentes, com sua linguagem chula, tentam mostrar sua estória de vida através de palavras muitas vezes desconexas, no entanto, precisamos pensar o que poderíamos esperar daqueles que um dia estiveram na marginalidade, o que poderíamos esperar de jovens que vieram dos bolsões de miséria, será que não está havendo um pouco de intolerância por parte de alguns.

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