A QUEM INTERESSA TANTA INSEGURANÇA?
   Flávio  Saraiva  │     24 de setembro de 2014   │     18:48  │  1

A QUEM INTERESSA TANTA INSEGURANÇAOs teóricos da conspiração sempre defenderam teses sobre a escalada da violência no Brasil, sendo a mais difundida a que afirma o interesse da segurança privada na falência da segurança pública, forçando o cidadão a gastar mais e mais para a manutenção de sua sobrevivência e do negócio.

Pois bem, nem mesmo a segurança privada, segmento que tem crescido em média, 12 % ao ano e já emprega mais de 600 mil pessoas,  aguenta mais os custos da insegurança. Empresas prestadoras de serviço já não conseguem encontrar o equilíbrio entre valor cobrado pelo serviço e montante gasto com ressarcimento a clientes vitimados. Companhias de seguros já não querem garantir cargas de medicamentos, cigarros e equipamentos eletrônicos, ou quando garantem, as apólices beiram a inviabilidade da operação.

Centros de distribuição e logística são atacados por comboios de caminhões cheios de bandidos fortemente armados com fuzis e metralhadoras de uso militar. Interceptam comboios de carros fortes blindados carregando dinheiro em autopistas movimentadas, apresentando aos brasileiros imagens reais que só o cinema internacional mostra na ficção.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), foram investidos no ano passado R$ 9 bilhões na segurança das áreas de autoatendimento, mas não conseguem conter o crescimento das explosões dos caixas eletrônicos, até porque, na avaliação bandida de custo benefício, vale a pena o risco da modalidade criminosa, muito dinheiro acumulado até ser preso, e quando isso acontece, pouco tempo no cárcere.  Há quem duvide do montante empregado pelos banqueiros na segurança e estranhe certa aceitação com o quadro.

Frotistas do transporte de passageiros urbanos também não mais aguentam tantos assaltos, gente pulando a catraca, entrando pela porta de saída e o grande número de ônibus incendiados a mando de criminosos organizados. É a marca dos protestos.

Não conheço São Luiz do Maranhão e não sei se terei algum dia motivação para conhecê-la, a capital brasileira do reggae se transformou na terra de Pedrinhas, prisão onde acontece de tudo, não muito diferente das demais, mas as repetidas rebeliões, fugas e algumas decapitações de presos estampam o noticiário nacional, impactando no negócio turismo, importante fonte de renda do pobre estado.

Estima-se que o Brasil gaste mais de R$ 250 bilhões anuais para suprir os custos estabelecidos pela escalada da violência, o que equivale a 5% do PIB, ou quase tudo que se gasta com educação. É a formatação de uma lógica perversa que, sinceramente, não sei a quem interessa.

Numa guerra que se mostra vencida pelo crime, há quem veja na desmilitarização das polícias militares a solução para tudo. É fantástico.

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COMENTÁRIOS
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  1. Cel pinheiro

    Parabéns pelo texto! Como sempre um policial nato! Precisamos de mais pessoas que lutem pelos interesses de todos e não de um único ser.

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