A ARMA QUE MATOU IZABELLE
   Flávio  Saraiva  │     4 de setembro de 2014   │     6:31  │  10

Izabelle-Pereira-fardadaConversei com experiente policial militar com mais de 20 anos de serviço, treinado nas melhores escolas operacionais do país e internacionais, sobre a ocorrência que resultara na morte da Soldado PM Izabelle em 30/08/14.

O policial informou que testara o funcionamento da arma utilizada pela guarnição, da qual fazia parte a vítima, submetralhadora Taurus SMT-40, destacando o que segue:

1 – A arma apresenta dispositivo de segurança que permite ao atirador 04 opções de operação: S – segurança, 1 – intermitente (apenas 01 tiro), 2- rajada limitada a 02 tiros e F – rajada plena, disparando todos os cartuchos disponíveis no carregador;

2 – Em S – segurança, a arma funcionou bem, sem incidentes, mesmo simulando possíveis manejos inseguros;

3 – Quando selecionada a opção 1 – intermitente, bom funcionamento, com apenas 01 disparo a cada acionamento da tecla de gatilho;

4 – Na   opção 2 – rajada limitada, a arma apresentara defeito, disparando como se estivesse selecionada a opção F – rajada plena;

5 – Completara, informando que a corporação recomendara ao fabricante que retirasse a opção rajada plena das armas entregues, e assim foram recebidas.

O relato do policial é importante indicativo para análise dos peritos que realizarão exames na arma da ocorrência.

Imperioso observar que são muitos os relatos sobre mau funcionamento de armas fabricadas pela Taurus, empresa que juntamente com a IMBEL  (empresa pública) detêm a exclusividade de fornecimento para as forças policiais brasileiras, livres da concorrência de renomados fabricantes internacionais.

Participei de treinamento operacional em que foram disparados cerca de 5 mil tiros por aluno, com munição original, oportunidade em que pude constatar a limitação de funcionamento das pistolas Taurus, de vários modelos; todos apresentaram problemas. Diferente das pistolas Glock, de fabricação austríaca, consideradas as melhores do mundo, funcionando perfeitamente mesmo em condições desfavoráveis.

A Taurus tem feito recall em grande número de pistolas utilizadas pelas polícias alagoanas, mas seus técnicos não revelam o verdadeiro motivo na troca de peças, informando que se trata apenas de reposição sem custos para os usuários. Será? O duopólio Taurus/Imbel precisa ser discutido.

Não conheci a Soldado Izabelle, mas seu sorriso trajando uniforme operacional (foto no Facebook) demonstrava a alegria de ser policial.  Que o luto policial se transforme em efetiva indignação e mobilização por condições seguras de trabalho.

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COMENTÁRIOS
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  1. GILBERTO

    PARABENIZO O SENHOR DELEGADO FLÁVIO SARAIVA PELA MATÉRIA, A QUAL NÃO DEIXA DÚVIDAS DAS MÁS CONDIÇÕES DE TRABALHO DAS POLÍCIAS DE NOSSO ESTADO; A ISABELLE SE FOI, E ASSIM FICARÁ NA IMPUNIDADE, COMO OUTRAS MORTES EM SERVIÇO.

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  2. Bleine Oliveira

    Parabéns, Dr. Flávio! Informações objetivas, mostrando uma vertente importante na análise de uma ocorrência grave, como foi a morte da soldado Izabelle. A empresa Taurus precisa ser questionada e, se for o caso, responsabilizada por seus erros. Abs

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  3. AYORYA

    Eu queria ter o direito de comprar uma arma de qualidade com MEU dinheiro. Quem conhece o mundo do armas de fogo sabe que 70% das vendas da Tuarus ocorrem nos EUA e que o pequeno mercado brasileiro serve apenas como uma mera reserva de mercado, sustentada a base de muito lobby (estou usando eufemismo, claro!). O resultado dessa reserva de mercado é que principalmente a Taurus, pois vende muito ao mercado civil brasileiro (Imbel mais ao mercado militar e ex-militares), coloca no mercado nacional armas de fogo de péssima qualidade, pois sabe que não será incomodada com a concorrência, logo, não estão preocupados com controle de qualidade ou com a satisfação do cliente. Aí vem a pergunta: Mas como essa famigerada empresa vende tanto no mercado americano, com um público tão exigente? A resposta é o nicho de compradores para as armas da Taurus. No caso, as armas dessa empresa são consideradas armas descartáveis e usadas por públicos alvos muito específicos, como academias de policiais, pessoas com pouca ou nenhuma aptidão técnica, etc. Quando um profissional da área de segurança se forma (policial) ele escolhe uma arma como Glock, HK, Steier aug, etc., deixando a frágil Taurus para aqueles que estão apenas aprendendo ou que simplesmente tem uma arma para falar que tem. Como forma de compravar esses fatos, basta olhar nos sites internacionais de armas os preços da Taurus comparados as outras marcas, saí menos da metada do preço!!! E tem um detalhe: Como se trata de um mercado bem mais atraente e exigente que o mercado doméstico, as armas que são exportadas recebem outro tratamento, restando no Brasil para emprego das forças, armas de pouca qualidade e que não serviriam para serem exportadas ao mercado americano. Nessa lógica, vem outras tantas perguntas: Por que a Polícia Federal usa Glock? E por que a PF pode usar e a PM não? Será que os PFs são mais dignos, bonitos, inteligentes, que os militares? Por que os militares (generais) defedem tanto a Taurus? Será que o argumento de defender a indústria nacional pode ser colocado como prioritário à segurança de nossos policiais? e fim, será que vivemos no fatalismo do fracasso e da propina de empresas com interesses escusos? Viver nesse país é cada dia mais difícil e amar essa nação que não existe é uma missão impossível. Parabéns Delegado por colocar o dedo na ferida.

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  4. R/R

    Esse tal de AYORYA, demonstrou com seu comentário que é conhecedor, concordo plenamente, infelizmente a gente vê cada comentário sem logica e alguns querendo se ser o CARA.

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    1. R/R

      Vou além, já pensaram se no xadrez da VTR tivesse alguns presos e os mesmo fossem baleados ou até mesmo mortos, como estaria a situação da guarnição pra provar aquela situação?? Alguns anos atrás em S. Paulo, uma guarnição fez uma abordagem e essa famigerada marca “TAURUS” pistola disparou matando uma jovem. O PM só se saiu, pq alguém acreditou nele, fizeram uma pericia rigorosa e descobriram o mesmo defeito

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  5. Daniel Lima

    Flávio, como vai?
    Parabéns pelo artigo! Infelizmente, é uma pena, que só fazemos comentários desse duopólio Taurus/ Imbel mediantes essas tragédias!

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  6. Deraldo Francisco da Silva

    Caro Saraiva, antes de tudo, meus parabéns pelo EXCELENTE texto, quero vê-los num livro.
    Mas, permita-me um comentário sobre as minhas certezas em torno deste caso:
    1 – Os tiros (17 ou quantos tenham sido) mataram a PM recém-ingressa na corporação IZabelle;
    2 – Sendo mulher e recém-ingressa na PM é provável que Izabelle não portava a metralhadora;
    3 – O comandante da guarnição, sentado no banco à frente dela, não se sentiria seguro; ele é experiente, conhece o armamento;
    4 – Ainda sobre o comandante da guarnição: ele sabe o que REALMENTE aconteceu dentro da VTR da RP, cujo acontecimento resultou na morte trágica e precoce da PFem; então, é dele a responsabilidade de “dizer a verdade, nada mais que a verdade”;
    5 – Se a perícia está procurando defeitos de funcionamento na metralhadora certamente não chegará a quem a acionou, de forma ACIDENTAL, é claro;
    6 – Por fim, NÃO acredito na versão de que a arma estava no piso do carro, muito menos na de que Izabelle era quem portava a metralhadora; acredito que, neste caso, NÃO houve DOLO, mas houve IMPERÍCIA que resultou numa grande TRAGÉDIA.

    Um abraço e muito obrigado pelo espaço!

    Deraldo Francisco

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  7. Paulo Cesar

    Concordo com o Del Flavio. A hora de se questionar o porque de um armamento já considerado há muito tempo pouco confiável ainda estar nas mãos da briosa e de outras forças policiais do pais já passou a muito tempo. Glock é uma arma extremamente confiável sim, sou atirador e conheço a qualidade da arma, e acho que é preciso se levar mais a sério questões tão fundamentais para a população como segurança pública. Bom armamento é o mínimo que seve oferecer á Polícia. Conheçendo as limitações como conheço fico pensando como sobreviver a uma abordagem policial em que o próprio policial não tem o controle absoluto do armamento que possui. A sociedade agradece.

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