TRAGÉDIA ANUNCIADA
   Flávio  Saraiva  │     7 de agosto de 2014   │     16:56  │  2

TRAGÉDIA ANUNCIADA IIAlagoas volta ao noticiário nacional com mais um problema na segurança pública, dessa vez é a superpopulação carcerária nas unidades policiais, com destaque para a Central de Flagrantes e Casa de Custódia da Polícia Civil.

Para o desavisado, sugere que o problema não existia e que  surpreendera aos gestores em dimensão não prevista, e assim não sabem onde depositar os presos; isso mesmo, depositar, não há outro termo, a não ser apinhar, espremer, amontoar, enfeixar e outros mais.

Somos o Estado mais violento do país, fato que motivara o lançamento e instalação do programa de governo Brasil Mais Seguro em junho de 2012, com as presenças do ministro da justiça José Eduardo Cardoso e da secretária nacional de segurança pública Regina Miki, mais as desnecessárias estrelas da teledramaturgia nacional.

Estado mais seguro significaria mais bandidos presos e foi o que ocorreu, gerando certa euforia com os primeiros resultados, acompanhados periodicamente por Regina Miki, principalmente nos finais de semana, quando encontrava brechas em sua concorrida agenda. Num sábado, passados cerca de 30 dias de instalação do Brasil Mais Seguro, recebi a missão de recebê-la e acompanhá-la em visita a Arapiraca, oportunidade em que o então secretário de defesa social mostrava as instalações do batalhão de polícia militar, bombeiros e instituto médico legal. Do lado, uma bomba chiando, 153 presos amontoados nas celas da Casa de Custódia, com lotação máxima para apenas 90. A secretária contemplou, sentiu o clima e saiu sem apresentar solução. Fiquei imaginando, vai esperar as imagens da tragédia no Jornal Nacional.

Não é difícil diagnosticar que a “surpreendente” superlotação carcerária passa pela falta de planejamento da gestão, retirada necessária de presos das delegacias de polícia e falta de unidade operacional das instituições para enfrentar problemas emergenciais. Então, vem mais uma vez o desavisado para supor que faltou dinheiro, área para construir, apoio do governo federal… O presídio do Agreste prova que não foi esse o motivo.

Pela mídia, os alagoanos são avisados de que a solução da superpopulação carcerária passa pela liberação de criminosos presos que cometeram delitos de menor potencial ofensivo, que voltarão às ruas para perpetrarem os mesmos crimes e regressarem para o cárcere, também sem nenhuma novidade.

Louve-se a coragem e zelo profissional do policial civil André Ribeiro, gestor da Casa de Custódia de Maceió, ao anunciar a tragédia que se aproxima.

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COMENTÁRIOS
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  1. Gutemberg Lócio

    O estado vive a doce ilusão de que a prisão é o último recurso adotado para ressocializar um cidadão infrator,mas,na prática a história é outra,a violência desmedida já virou rotina e a sensação de impunidade só aumenta,não adianta querer transformar uma sociedade através de decretos,o crime existe e o criminoso tem que ser punido exemplarmente,as progressões de pena são incentivadoras dessa realidade,as oportunidades de adquirir conhecimento através da rede pública de ensino aumentaram sensivelmente e hoje existem programas sociais de todo tipo e nem por isso os índices de roubos e furtos diminuíram,cabe ao estado fazer seu papel de regulador e punir aqueles que vivem à margem da lei.

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  2. carlos

    Caro Flávio, desculpe-me discordar mas a superlotação passa na verdade por uma total falta de gestão dos chefes da segurança pública! Sempre se prendeu nesse Estado e há muito não víamos cenas como essas. Infelizmente o nosso Governador escolheu muito mal seus “homens de confiança”.

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