CRIME & CIA
   Flávio  Saraiva  │     5 de agosto de 2014   │     9:41  │  0

CRIME & CIA IIConceber um negócio num mundo surpreendido por várias crises financeiras representa grande desafio; empreender, construir, contratar pessoal e colocar em funcionamento uma empresa, significa gesto heroico. Os empreendedores e especialistas no ramo costumam afirmar que uma empresa só começa a dar lucro após cinco anos de funcionamento. Nesse período, muitos heroicos empreendedores gastam suas reservas e buscam mais nos bancos a juros extorsivos e grande parte deles não consegue sobreviver no negócio. Logo na instalação do empreendimento sente o peso das exigências dos órgãos fiscalizadores – projetos para bombeiros, meio-ambiente, saúde, convívio urbano, trânsito, sindicatos, conselhos profissionais etc.

Contrariando esse modelo de empreendimento que tanto limita os heroicos empresários, surge o negócio do crime, concebido à margem da lei, pode tudo – instalação em áreas de proteção ambiental, nas cabeceiras de pontes, margens das lagoas, propriedades alheias, sem projeto de incêndio, nenhuma relação formal de trabalho, sem imposto e certeza de lucro já na instalação. O único risco, se assim pode ser chamado, é a prisão e por pouco tempo.

 No Rio Grande do Sul, o programa Fantástico da Rede Globo, exibido no último domingo, mostrou a ousadia de jovens criminosos que usavam as redes sociais para exibir os produtos decorrentes de vários assaltos – joias, relógios, veículos, outros objetos de valor e muito dinheiro. Só para escrachar, os jovens puseram valioso cordão de ouro no pescoço de um gato e queimaram várias notas de R$ 100, sem que isso os certificasse como doidos, mas apenas como ousados praticantes do roubo ostentação.

Naquele mesmo programa, outra reportagem mostrou uma família inteira que viajava pelo mundo pagando passagens e fazendo compras fraudando processo de obtenção de milhagens aéreas. A polícia fez busca e apreensão de materiais na residência da associação criminosa familiar, recolhendo os elementos de prova para as investigações, mas não prendeu ninguém. Resultado desproporcional quando confrontado com as imagens dos álbuns de viagens.

Aqui em Alagoas, a polícia prendeu famoso estelionatário que se apresentava como corretor de ações de empresa mineradora, golpe que lhe rendera milhões de reais, sem pagamento de nenhum imposto.  Assim como acontece com seus colegas do ramo, não passará muito tempo na cadeia e logo voltará para as ruas, para desespero de suas vítimas.

O tráfico de drogas, geralmente instalado em áreas de comunidades mais pobres, emprega mão-de-obra barata supervisionada por rígido acompanhamento de resultados, demitindo os maus colaboradores com execuções sumárias e sem aviso prévio. Impostos, taxas, tarifas e fiscalização são coisas de outro mundo, tudo é lucro, dinheiro em espécie no bolso de criminosos, que desfilam nas ruas e redes sociais ostentando os produtos dos crimes.

A inversão de valores angustia o empreendedor legal, que se questiona: o crime compensa?

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