“SEQUESTRO” DE VEÍCULO
   Flávio  Saraiva  │     29 de julho de 2014   │     9:21  │  3

SEQUESTRO DE VEÍCULOA criatividade de criminosos parece ser inesgotável e assim, com muita frequência, somos apresentados a novas modalidades de cometimento de crimes que, tal qual a moda, viram tendência. Há algum tempo, em São Paulo e Rio de Janeiro, passageiros de avião que ali desembarcavam com notebooks eram alvos de assaltos, para em seguida serem surpreendidos com o pedido de resgate do equipamento, em processo de negociação totalmente desfavorável às vítimas. Dependendo do conteúdo dos equipamentos – pesquisas, dados financeiros pessoais e de empresa, fotos da família, agenda de compromissos e outros, o valor do resgate aumentava. Com o rastreamento dos equipamentos, processos seguros de acesso e a possibilidade de armazenamento de dados na nuvem, a modalidade foi perdendo lucratividade e interesse.

Modismo bandido que ainda permanece é o falso sequestro, em que presos no sistema penitenciário fazem ligações telefônicas a vítimas, anunciando de forma mentirosa que mantêm familiar sequestrado e em cativeiro, exigindo para o resgate depósito bancário em dinheiro. A continuidade desse tipo de crime é justificada pela exposição das vítimas em mídias sociais, compartilhando tudo que fazem, mais das vezes em tempo real, facilitando o processo de convencimento dos criminosos, transformado em mais lucro.

 Não com muita frequência, há também o sequestro de cães e gatos, animais que desfrutam de carinho como se fosse parte integrante da família, relação estampada em adesivos nos veículos, indicando a importância deles.

Surge agora no Rio Grande do Sul o sequestro de veículos, iniciado com o roubo e seguido com o pedido de resgate. O motorista proprietário é surpreendido, retirado do carro, subtraídos todos os pertences, aí incluído telefone celular, para o qual será dirigida a ligação que o criminoso determina que seja feita pela vítima, objetivando o resgate dos bens.  Ameaçada, a vítima não vê outro caminho e maximiza perdas na negociação direta com bandidos. A recomendação óbvia é buscar orientação policial, que não vem na mesma proporção dos anseios da vítima.

A ousadia bandida vai crescendo na mesma magnitude do sentimento de impunidade, sequestrando um dos nossos maiores bens – a capacidade de se indignar. Até quando?

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COMENTÁRIOS
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  1. AYORYA

    “A recomendação óbvia é buscar orientação policial, que não vem na mesma proporção dos anseios da vítima”. Aqui nesse país exótico, o obvio tem que ser dito, mas qual a razão disso? A razão decorre de vários aspectos, mas o mais evidente é aquele no qual a polícia vive sob a certeza da derrota para criminalidade. Existe a plena convicção de que a omissão policial hoje é a primeira defesa do policial em um Estado que aniquila qualquer tipo de iniciativa profissional por um bom trabalho e pela sensação do dever cumprido. Hoje o anseio da vítima deve recair sob o Congresso Nacional e sob os políticos de plantão que insistem em não valorizar o bom profissional policial com salários, armas, normas jurídicas adequadas, treinamentos, etc., havendo apenas a valorização de poucas castas na polícia dignas de receber um salário condizente com sua hipócrita atuação e real função. Enquanto nossas polícias tiverem 02 (duas) portas de entrada, por exemplo, Agentes e Delegados no caso da PC ou Oficiais e PraçaS no caso da PM (coisa que não há em nenhum outro lugar do mundo) aqueles profissionais que materializam a prova e criam conhecimento não irão a uma guerra que sabem que já está perdida e ainda ter que derramar seu sangue. Falar em valorização e reconhecimento para TODA a classe de policiais é assunto proibido pelos pseudos gestores da polícia, as quais querem uma polícia de primeiro mundo, mas que tratam os policiais (verdadeiros) como seres de terceiro mundo e sem a proteção da lógica de uma guerra civil. Resultado: Uma polícia que não satisfaz os “anseios” da vítima e que vive sob a égide de uma greve branca na qual não há data para acabar. Duvido que seja publicado e viva o Brasil.

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  2. Luiz Alfredo

    Não existe democracia sem o direito de liberdade. A segurança já está prestes à sarjeta do caos. Simplesmente, uma vergonha, que fere a soberania nacional. País que bandidos ditam códigos de guerra, amedrontam e silenciam a sociedade é realmente uma incongruência que oprime o estado de direito. O “caldo” deve ser engrossado urgentemente! Não queremos o mesclado de covardia e anarquia.
    Não se respeita o caráter intimidativo da pena. Os traficantes zombam das nossas autoridades e dos organismos de segurança. Metralham viaturas das Forças Armadas defronte os quartéis, invadem paiol militar e furtam as armas; prendem policiais no próprio xadrez das delegacias, como também, estas, são metralhadas com a maior tranqüilidade. Ditam suas ordens para que o comércio feche as portas, como se fosse um decreto municipal.
    As famílias vivem desarmadas e trancadas em xadrez familiar, com grades e muros altos. As execuções são constantes à luz do dia. Matam as pessoas como se matam um passarinho. Crimes hediondos em profusão e, agora, aprenderam a modalidade de degolar adolescentes com o maior requinte de perversidade e, com desplante de colocar as cabeças em uma bandeja!
    Com todo o respeito, gostaria que as autoridades do meu país, responsáveis pela tranquilidade e administração pública se dignassem a assumir seus papéis e fazerem algo em prol dos homens de bem. Confundiram democracia com anarquia e os políticos continuam sem coragem de mudar o código penal sob risco de serem enquadrados em suas próprias leis, porém desfrutam de segurança particular(armada) e foro privilegiado.
    Nunca na história desse país se viu a democracia e o direito de ir e vir tão ameaçados e subjulgado.

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