A SOLIDÃO DE TÉO VILELA
   Flávio  Saraiva  │     10 de junho de 2014   │     21:03  │  1

5fc74b4cc6a8a97b100b44a6ae8c4110O jornalista Edivaldo Junior, destacado blogueiro deste portal de notícias, recebeu do governador Teotônio Vilela inesperada confissão: “Edivaldo, eu nunca me senti tão sozinho em todo este tempo, em todos esses 28 anos que faço política. Você pode escrever isso”…  “mas diga também que eu, apesar disso, não tenho a menor dúvida de que fiz a melhor escolha, de que escolhi o melhor nome para disputar o governo”.

Com a autorizada confissão, entendi que Téo Vilela pretendera compartilhar incômodo sentimento para quem viveu 28 anos cercado de atenções e, por que não dizer, bajulações. Os mais vividos costumam dizer que em final de governo o café é servido frio, a porta tem que ser aberta pela autoridade, o telefone pouco toca, os convites rareiam e, para alguns, a companhia até incomoda. Testemunhei ex-governador, eleito com votação histórica, acompanhado de apenas alguns poucos amigos exercitando a gratidão.

Não há efeito sem causa, o que teria ocasionado a debandada a ponto  de Téo Vilela sentir-se só? Seriam os abandonadores apenas amigos do poder? O processo de escolha do candidato à sucessão teria influenciado tanto assim? Ingratidão? Os questionamentos se multiplicam.

Compartilho o seu sentimento, até porque passei por situação apenas assemelhada, própria do mundo de um delegado de polícia, diminuto quando comparado ao universo da governança de um Estado. No começo de seu governo a polícia civil enfrentara a mais demorada greve, demandando esforço hercúleo dos que resolveram continuar trabalhando, fui um deles, contribuindo para o fim da série de sequestros que aterrorizava a vida dos alagoanos.

A segurança pública sinalizava com outros problemas de difícil administração,  que ocasionaram a exoneração do então secretário de defesa social General Sá Rocha e, por consequência, dos demais gestores policiais. Assumiu a pasta o delegado federal Paulo Rubim, que afirmava ser auxiliado por bola de cristal que lhe permitia monitorar tudo e visualizar que  a formação de sua equipe deveria ser formada exclusivamente por jovens. Eu, beirando os 50 anos, virei boneco do então delegado geral, que me movimentava de delegacia na conformidade do humor do dia.

Com relação de confiança estabelecida nas atividades da campanha política para o primeiro governo, pretendi reclamar do tratamento desrespeitoso e cobrar providências. Pura bobagem, não consegui passar da antessala do gabinete militar. Naquele momento, por coincidência, recebi convite de empresa pública do governo federal  para fazer a gestão da segurança, mas não houve a liberação estadual. Frustrado e sozinho, lamentei saber que o gestor nacional tentara minha cessão em três  oportunidades. Não sei se houve influência dos amigos que hoje se afastam do governador.

Nos encontramos muitas vezes, aperto de mão e um olhar que eu, otimista incorrigível, interpretava como desculpas pelas seguidas negativas. Aprendi a dominar o rancor, até porque muita gente me dizia “o Téo é assim mesmo, ele fez isso com o… com a… com os… mas é gente boa”.

É possível que a solidão decorra da maldição do fim de governo, que logo passará, revertendo-se em  excelente oportunidade para identificar e ter a companhia dos verdadeiros amigos.

Serenidade!

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COMENTÁRIOS
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  1. fred

    Coisa de governador em fim de mandato, pois isso mostra que essa raça que estava com ele, no poder agora procura outro ninho, com sombra é claro.

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