INDISCIPLINA DIGITAL
   Flávio  Saraiva  │     25 de maio de 2014   │     21:08  │  0

 INDISCIPLINA DIGITALAos 54 anos volto aos bancos escolares como aluno de curso preparatório para exame da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, formato único de avaliação do concluinte de curso superior para o mercado de trabalho.  Na minha formação sempre estive entre os mais novos da turma, agora a situação é inversa, sou o mais velho, recepcionando olhares de surpresa e indagação perceptível – o que esse tiozinho está fazendo aqui?

Na sala de aula os recursos didáticos disponíveis aos professores fazem parecer que estivemos na idade da pedra ao utilizarmos  quadro negro e giz, fazendo anotações depois apagadas com formação de densa poeira branca que tirou muitos professores da atividade, após desenvolverem processo alérgico e sofrerem com doenças respiratórias. Os quadros foram substituídos por lousas eletrônicas com inúmeros recursos de interatividade, as anotações são apagadas com simples toques na tela. No ambiente com ar refrigerado  e tratamento acústico, os  professores usam microfones sem fio que facilitam a explanação e evitam rouquidão, muitos com desenvoltura de astro pop.

E os alunos? Há quem diga que aluno é aluno em qualquer que seja a ambientação, querendo dizer que continuam as brincadeiras, conversas paralelas, desatenção, sugerindo indisciplina e até certo desrespeito aos mestres e àqueles que estão ali só para estudar. O que antes eram conversas barulhentas, bolinhas de papel jogadas nas cabeças dos colegas, agora as cabeças estão abaixadas, corpo curvado, dedos deslizando nas telas de smartphones, teclando em ritmo frenético. A conversa, mesmo que seja com a pessoa do lado, é realizada através do aplicativo Whats App, e assim podemos observar pessoas rindo sozinhas e compartilhando o sentimento em outras redes sociais, seguidos de avisos sonoros de recebimento de novas mensagens.

Surpresa maior aconteceu em evento técnico destinado à construção de planilha matriz de acompanhamento de grandes eventos, poucos assistentes (alunos) e portando notebooks, a indisciplina margeou o desrespeito; nas atividades que dispensavam o uso do equipamento,  os alunos continuavam teclando, expressando sentimentos que não tinham relação com o tema apresentado, enquanto o policial apresentador mal conseguia disfarçar o constrangimento. Formavam-se grupos no aplicativo e as conversas tornavam-se conferências silenciosas.

Resta-me a adaptação ou pedir para sair, vou persistir na primeira alternativa e fugir do possível conceito de ranzinza.

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