SENSAÇÃO DE INSEGURANÇA
   Flávio  Saraiva  │     23 de maio de 2014   │     7:44  │  1

O_GritoEspecialistas costumam afirmar que segurança nada mais é do que um sentimento, sensação de estar seguro, conceito que acompanho.

Na quinta-feira, 15/05, estava na Avenida Paulista e tive a oportunidade de observar manifestações populares antes vistas apenas em algum aparelho de tv, distante dali e seguro. Perto, a sensação é diferente, a possibilidade de se envolver involuntariamente é muito grande, mesmo sem ter nenhuma ligação com o evento.

Na manhã daquele dia, cerca de 200 pessoas, ex-funcionários de empresa de telemarketing, reivindicavam o pagamento de indenizações trabalhistas negadas pelo empregador. As palavras de ordem gritadas se misturavam aos barulhos típicos da metrópole sem alcançar nenhum destaque. Mas a manifestação ocorria no meio de uma das pistas, interrompendo o tráfego com os jalecos do uniforme  jogados na pequena área ocupada; eram 200 contrariando milhares.

À noite, conforme programação anunciada, ocorreria a manifestação contra a realização da Copa do Mundo Fifa 2014, centenas de policiais patrulhando a avenida. Estranha sensação, de segurança ao ver tantos policiais, mas também de expectativa e insegurança pela incerteza de como ocorreria a manifestação. Os taxistas se comunicavam em busca de informações, as estações de metrô inundadas de passageiros, entrar e sair dos vagões exigia técnicas  que margeiam o desrespeito, pessoas são empurradas, sufocadas e levadas pela onda formada, o caos, insegurança máxima. Saindo do momento crítico, é hora de  checar se ainda está de posse de seus pertences.

Os manifestantes chegaram à Consolação, início da Paulista, a correria começa, pessoas assustadas abraçando suas bolsas expressam a grandeza do medo, da sensação de insegurança. Surge o som indicativo de que “o bicho pegou”, explosões acompanhadas de sirenes de viaturas policiais e gritaria generalizada, agora é esperar  oportunidade para se livrar daquele cenário, não é fácil.

Como já vimos, a saída pelo metrô não era o procedimento mais recomendável, pegar um ônibus representava grande risco de sair queimado, os táxis fugiam da área de conflito e a sorte teria que colaborar para conseguir tomar um e seguir para o aeroporto. Mas os manifestantes prometiam fechar a Marginal Tietê e outras vias de saída, o caminho era incerto, cada quilômetro percorrido uma vitória.

Chega-se ao aeroporto, agentes das empresas aéreas aos gritos, informam a proximidade de finalização do check in de muitos voos.  Com o cartão de embarque nas mãos, desfruta-se da boa sensação de tranquilidade e expectativa de voltar pra casa, logo interrompida  pela informação de que o portão de embarque informado não é o mesmo mostrado nos monitores espalhados no saguão. Incerteza injustificável que gera novamente sensação de insegurança, resolvida com a indicação do novo portão, onde outra aglomeração é formada.

Como nunca na história desse país, os passageiros são empilhados em ônibus do aeroporto e seguem para o embarque. Até que enfim, embarcados, sensação de alívio e boa expectativa, volta para casa em poucas horas.

A Lei de Murphy diz que se alguma coisa pode dar errado, dará, e deu, o piloto da aeronave informa que devido ao mau tempo, há uma fila composta por nada menos que 13 aviões para decolagem e, sem opção, espera-se embarcado e volta a sensação de insegurança que se estendera até se atingir a velocidade de cruzeiro.

Desembarque em Maceió, apontada como a capital mais violenta do país, madrugada… É vida que segue.

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COMENTÁRIOS
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  1. Roberto Theodosio Brandão

    O nobre delegado retratou fielmente e sem cortes o que ocorre hoje nas grandes Capitais do Brasil: Mêdo e sensação de insegurança absoluta. Já foi o tempo que chegávamos em São Paulo e escolhíamos que transporte pegar. Taxi ou ônibus? Ônibus novos com ar condicionado e numero de passageiros reduzidos a preços módicos. Hoje você fica com medo do ônibus e do taxi também. No terminal do aeroporto de Guarulhos taxi credenciados e clandestinos disputam clientes e o risco é muito grande. Perdem todos com clima de segurança e parece que estamos na Tailândia ou Afeganistão. Pobre Brasil dos “sabidos e espertos” afundando na lama. Dizem que vai piorar. Mais que isto não pode ser. Veremos, o tempo é o senhor da verdade.

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