LIXO POLICIAL
   Flávio  Saraiva  │     4 de maio de 2014   │     9:20  │  2

LIXO POLICIALA Gazeta de Alagoas deste domingo 04/05/14 traz matéria sobre a grande quantidade de veículos apreendidos e amontoados em frente ao prédio onde funciona a delegacia especializada da polícia civil. Localizada na bela área do Pontal da Barra, ladeada pelo mar e Lagoa Mundaú, que se encontram mais à frente em deslumbrante cartão postal, a delegacia e seu depósito de carcaças enferrujadas de automóveis representam o lixo, que polui a paisagem.

O lixo policial não surgiu de um dia para o outro, ali existem veículos apreendidos há mais de 20 anos, sem nenhuma possibilidade de recuperação, muitos deles de seguradoras que não mais se interessam pelo recolhimento, decisão medida na relação custo/benefício. O lixo se espalha por outras delegacias e quartéis militares no Estado, como também, nos postos da polícia rodoviária federal. No 3o Batalhão de Polícia Militar de Arapiraca, impressiona o número de motos apreendidas administrativamente por irregularidade apresentadas na documentação do veículo e do condutor, ocupando espaço que contrasta com o habitual senso de organização e limpeza de uma instituição militar.

Nem só de veículos e cargas é formado o lixo policial, as delegacias também são depósitos de apreensões de máquinas caça níqueis instaladas em enormes gabinetes de madeira, muitas delas amontoadas no antigo prédio da Academia de Polícia Civil, do lado da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos de Cargas. Não é demais relembrar o caso da explosão das instalações do DEIC, causada pelo depósito inadequado de material explosivo, risco também presente naquela Delegacia, representado pela carga de fertilizante apreendida, que associada a óleo diesel forma o composto AMFO, já utilizado em ataques terroristas.

O lixo, além da flagrante poluição visual, significa sério risco à saúde dos usuários e profissionais que por ali transitam e trabalham, como também, considerável inércia administrativa. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais encontraram e implementaram soluções para o problema criando o depósito legal, destino dos veículos apreendidos, com custos de diárias pagas pelo proprietários, aos quais são estabelecidos prazos para a retirada do bem; caso isso não aconteça, torna-se propriedade do Estado, que gera receita com a venda para a indústria de material reciclável ou leilão.

A administração do lixo demanda a utilização de policiais civis para efetuar a guarda patrimonial em área aberta e sem controle de acesso, desvio de função que custa muito caro ao Estado, não só pela retirada das investigações, como também pelos procedimentos disciplinares instaurados em desfavor deles, sempre que surgem registros de extravios de pecas e outros componentes. Existem cálculos que estabelecem o custo médio de R$ 5 mil  para cada processo administrativo disciplinar instaurado; os prejuízos causados às carreiras dos policiais vigias de depósito de lixo  são incalculáveis.

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COMENTÁRIOS
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  1. jonas freitas

    Existe uma solução para esse lixão. bastão uma prensa hidráulica, como existem na américa do norte. Esse lixão será fácil de resolver. Mas como neste pais só tem burocratas (burrucratas), será difícil se resolver.

    Mas vamos continuar como dantes no quartel de Abrantes.

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  2. Policial Militar

    “Lixo Valioso”, isso sim, pois todo esse “Lixo” poderia ser transformado em dinheiro através de leilões. E o dinheiro arrecado, seria investido na Segurança Pública. É só ter um pouco de boa vontade.

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