MARCHA DA MACONHA
   Flávio  Saraiva  │     27 de abril de 2014   │     11:57  │  6

MARCHA DA MACONHASábado, 26/04/14, manifestantes participaram da Marcha da Maconha em São Paulo/SP, fechando uma das pistas da Avenida Paulista, sem registro de qualquer perturbação, pedindo a legalização da erva, gritando palavras de ordem: Ei, polícia, maconha é uma delícia!… Da Copa eu abro mão, do meu baseado, não!

Os organizadores da manifestação afirmaram que a Marcha contou com mais de 15.000 participantes, contrariando o cálculo da policia militar que contabilizara cerca de 3.000, significando, a nosso ver, pouco interesse pela causa, até mesmo porque só falta o texto legal que possibilite a comercialização formal da maconha; a liberação do uso, apesar de ainda ser considerado crime, já ocorre.

Sobre o tema, reproduzimos texto de Mara Silvia Carvalho de Menezes – Presidente do Conselho Deliberativo da Federação de Amor-Exigente, instituicao não governamental de apoio às famílias que buscam melhor qualidade de vida.

POLITICA SOBRE DROGAS NO BRASIL E O AMOR-EXIGENTE.

Seguramente todos nós desejamos o que pode haver de melhor numa política sobre Drogas para o Brasil.

Por isso, nós do Amor-Exigente atentos e cuidadosos, há 30 anos, seguimos bem de perto o que acontece em diferentes países e localidades em relação a este assunto. Acompanhamos os diversos movimentos e experiências realizadas na Suíça, na Holanda, na Suécia… Acompanhamos a redução de danos no Reino Unido e, por último, a política de facilitação para observar o uso de drogas em Portugal, que segue sem conclusão segura.

Mesmo sendo o Brasil tão diferente dos países aqui citados queríamos aprender com eles. Era tudo muito novo! As pesquisas e achados, a médio e longo prazo, para nós, nos parecem de resultados improváveis.

Assim, lá atrás, no II Congresso Nacional de Amor-Exigente tomamos uma posição absolutamente contraria a qualquer tipo de facilitação de uso e/ou acesso a drogas, por falta de esperança de vermos confirmadas, com evidências reais, os resultados positivos obtidos por posicionamentos discordantes dos nossos. Firmes continuamos a esperar.

Os Grupos de AE e os demais Grupos de auto e mútua ajuda que se opuseram a políticas mais liberais foram duramente criticados e apontados como um seguimento composto por gente desatualizada, atrasada. Éramos sumariamente afastados de oportunidades e de parcerias com instituições que colaborassem para o crescimento do serviço voluntário, àqueles que precisavam de apoio.

Fomos em frente mesmo assim.

– Por que hoje continuamos a dizer não a liberação da maconha?

– Por que sabemos o quanto ainda estamos despreparados para enfrentar os efeitos adversos das atuais drogas licitas, álcool e tabaco… Portanto, para que liberar mais uma?

Foram necessárias diversas e custosas medidas para diminuir o uso do tabaco cujos produtos de combustão e inalação causam tumores de pulmão, bexiga, pâncreas, doenças vasculares como infartos e gangrenas… E ainda assim, temos uma alta porcentagem de jovens começando a fumar.

O álcool, todos sabem, é a pior de todas as drogas! É a que mais mata e destrói pessoas pelo mundo afora. É muito difícil retroagir com estas duas drogas licitas… Por que liberar a maconha também?

Por que permitir que a maconha seja comercializada livremente e possa ser usada em qualquer ambiente? Isto vai aproximá-la ainda mais dos nossos filhos e netos. Eles terão livre acesso para experimentar e usar mais uma droga como já usam álcool e cigarro. Se estiver à mão, por que não experimentar, sentir seus tão alardeados efeitos… Não é assim que acontece a facilitação ao vicio?

A maconha não é melhor do que o tabaco, muita gente se prejudica com ela! Conhecemos bem a desagregação familiar causada pelo usuário dessa substância. A maconha provoca, também, mudanças e transtornos cerebrais, desde os mais simples até alterações graves e irreversíveis; traz o esquecimento, o alheamento no convívio interpessoal, distorção na interpretação da realidade, distúrbio de personalidade, podendo, em pessoas sensíveis, desencadear quadros de esquizofrenia, pânico e depressão… E, não podemos nos esquecer dos eventuais efeitos dos produtos de combustão e inalação similares aos padrões já conhecidos no cigarro comum.

Para nós mães, avós, familiares a maior dor é ver que nossos entes queridos se tornaram dependentes, porque está provado que a maconha causa dependência.

– Será que um dos seus, ao experimentar maconha, pode vir a ser dependente?  Claro que pode!

E os dependentes tornam-se insensíveis, distantes, não se importam, não sentem nenhum afeto e passam a ter perdas irreversíveis no desempenho intelectual…

As famílias por sua vez vivem um medo permanente, medo por eles, medo deles; vivem a impotência diante da dependência química; o preconceito social; a perda do sonho de realização dos filhos.

Já não são os nossos filhos, são o que a droga fez deles.

Quanto ao trafico: dizem que não será preciso gastar dinheiro  combatendo-o  e a venda licita vai aumentar a arrecadação de impostos para o governo. Mas e o que se gastará no tratamento das doenças e dos problemas decorrentes do uso, não irá provavelmente, ultrapassar o ganho tributário?

– Vamos acabar com os traficantes?

– E as outras drogas, heroína, ópio, cocaína, merla, oxi, crack, LSD, ecstasy  continuarão a ser distribuídas ilegalmente, ou serão também liberadas?

Em relação à maconha os traficantes certamente continuarão a vendê-la para aqueles que precisarem de doses maiores do que as disponíveis no mercado legal ou venderão para menores de idade que não puderem comprar nos stands credenciados para sua comercialização.

Temos pensado muito em tudo isto.

É a família que viu seus amados começando com o álcool, progredindo para a maconha e para outras drogas e destruindo suas vidas que clama por providências efetivas: precisamos de programas de prevenção às drogas nas escolas. É falha a educação sem informações adequadas que preparem nossas crianças e adolescentes para dizerem NÃO ao que pode destruir seus projetos de vida, seus sonhos.

A família sozinha não consegue defender e proteger os seus.

– Será que está em jogo apenas a liberação da maconha, ou estamos pondo em risco, também, o futuro de nossos jovens, o futuro do País?

 

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COMENTÁRIOS
6

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  1. Roberto Theodosio Brandão

    A liberação da maconha e de outras drogas ilícitas é um grave problema de segurança nacional. Quem irá nos substituir futuramente? A desagregação familiar, os costumes e um País que caminha a passos largos para ruína total alavancado pelos políticos corruptos que dão o mal exemplo. País esfacelado sem liderança política e jovens desmotivados é presa fácil a ganância de outros Países nossos vizinhos. Qual será o remédio numa hora destas? A princípio nenhum. Segundo os organizadores da marcha o resultado foi melhor que o esperado. Satisfatório segundo a mídia. Que Deus olhe para este Brasil sem futuro.

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  2. Luiz Alfredo

    A Holanda que é um país de primeiro mundo mesmo liberando as drogas não conseguiram terminar com o tráfico e além disso criou-se um problema de saúde pública.
    Quem sabe no Brasil seja uma saída liberar a maconha e substituirmos a PETROBRÁS pela MACONHABRÁS ou já que nos últimos dez anos o Brasil dobrou o consumo de cocaína e fundemos a DROGABRÁS? Os companheiros deixarão de lado os charutos cubanos e consumirão o velho murrão.

    Obs: Outra vantagem no ramo das drogas superfaturamento e vacilo acabam em fuzilamento ao contrário da CPI.

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  3. jonas freitas

    O problema não é a maconha… O problema é o narcotráfico, que alimenta os nossos políticos corruptos. Há mais de cinquentas anos que essa briga e perseguição com o uso. Prende e solta e continuamos a alimentar essa cadeia que não acaba. Temos que encontrar uma solução. Os nosso políticos não estão nem ai, eles querem que a juventude se ferrem..

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  4. Micheline

    Sou contra a liberação de qualquer tipo de droga. A ingestão do álcool é livre, e nem por isso deixa de causa problemas.

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  5. Marcelo

    Discordo diametralmente dessa visão de continuar a reprimir o uso recreativo da maconha, até porque essa política mostra-se ineficaz e só alimenta a indústria do tráfico. Acredito que toda a ênfase no combate às drogas deveria ser direcionado à cocaína, especialmente na sua forma mais cruel, o crack, este sim responsável pelo dilaceramento de milhares de famílias em nosso País. Os supostos protetores dos jovens apenas reprisam uma visão anacrônica e preconceituosa sobre a cannabis, muitos nem sabem o que é THC, só repetem o discurso que só beneficia a indústria do álcool e do tabaco, as chamadas drogas lícitas.

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  6. jonas freitas

    O BLÁBLÁBLÁ QUE REFORÇA A IMPUNIDADE

    (Diego Casagrande – 29.04.2014 – jornal METRO/Porto Alegre)

    Estou farto deste blábláblá jurídico-ideológico que há décadas toma conta do país e que só reflete nossa incompetência como nação. É só conversa fiada. Enquanto ficamos justificando o crime, ele só aumenta. Enquanto ficamos justificando que menores não podem ser punidos como adultos, mais e mais menores cometem crimes bárbaros de adultos.

    Estou farto de afirmações mentirosas como “não se pode punir porque punir não resolve e nem nos EUA resolveu”. “Não se pode aumentar as penas porque penas duras não diminuem a criminalidade”. “Não adianta prender porque não tem onde botar e as cadeias estão cheias”. Eu poderia recitar de memória dezenas de outras citações que fazem a alegria da bandidagem e nos transformam no país da impunidade.

    Infelizmente, a visão de que não adianta punir foi incutida durante décadas nas cabeças dos estudantes, sobretudo de direito, e faz parte da forma simplista como a esquerda vê o sistema legal em países democráticos. Enquanto isso, em países comunistas que a esquerda idolatra, bandido não tem vez, pois a insegurança gera instabilidade social. Está na hora de o Brasil discutir com seriedade uma mudança profunda no nosso sistema de repressão criminal e punições.

    Por exemplo, a história de que “ninguém deixa de cometer crimes sabendo das penas”. Esta é uma das maiores mentiras já ditas e que continua sendo repetida. Racionalizem sobre o assunto. Como é possível mensurar isso? Quem comprova isso? Ninguém. O argumento de que os presídios estão cheios não é razoável, pois quantos milhares ou milhões de potenciais criminosos deixaram de delinquir vislumbrando o que os esperava, sobretudo em países onde a lei realmente é cumprida? Ninguém sabe. Aliás, a aplicação da “Tolerância Zero” nos EUA, baseada na teoria das “Janelas Quebradas”, onde a punição a pequenos crimes era preconizada, surtiu grande efeito de frear e reduzir a delinquência.

    Acompanhando o caso do menino Bernardo nos últimos dias, não me sinto, como cidadão, contemplado pela lei. Não consigo aceitar que esta família monstro que fez isso com um pobre inocente de apenas 11 anos, um dia volte ao convívio social. É uma gente sem alma, sem coração, sem cura.

    São psicopatas. Falar em recuperação para eles é bobagem. Deveriam apodrecer na cadeia. Mas nossos legisladores, medrosos e patrulhados ideologicamente, continuam repetindo mentiras e se negando a discutir tais temas. Estou farto

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