ROUBO OSTENTAÇÃO
   Flávio  Saraiva  │     11 de abril de 2014   │     23:05  │  4

ROUBO OST 2As investigações policiais de dois crimes de latrocínio ocorridos em Belo Horizonte/MG revelaram uma nova, mas nem tanto, modalidade criminosa – o roubo ostentação, em que jovens transgressores da lei utilizam o dinheiro e os objetos subtraídos das vítimas para adquirir  artigos de marcas famosas e caras.

Inspirados nos ídolos narcotraficantes, esses jovens desfilam nas comunidades e vão aos bailes funks ostentando bens materiais – vestuário, celulares, anéis, colares, relógios, tênis, bonés, perfumes e outros itens. Sabem que a vida bandida é curta e assim asseveram: “somos loucos e vivemos pouco, mas vivemos como queremos”.

A disposição desses jovens para a prática de crimes é inversamente proporcional a de trabalhar e estudar, são da geração nem-nem-mas: nem estuda, nem trabalha, mas rouba e mata. Ferréz, brasileiro, paulista, autor do livro Manual Prático do Ódio, em entrevista à revista Época, explica e até justifica a inclinação desse jovens para o crime.

Segundo Ferréz, os jovens das comunidades menos assistidas e vivenciando os constantes apelos de uma sociedade movida pelo consumo, não conseguem esperar o caminho natural para as conquistas patrimoniais – formação escolar e técnica para inclusão no mercado de trabalho e progressão funcional que irá definir o nível salarial. O autor diz que eles não têm paciência para trabalhar mais de 30 anos como garçom e esperar pela aposentadoria.

O estilo de vida do ladrão ostentação é acordar tarde, por volta das 12h, dar um rolezinho com carros roubados, assaltar, matar, se der certo – como ocorre na maioria das vezes, fazer compras e frequentar bailes funks  com amigos e meninas; se der errado – pouco tempo preso ou internado. Vida louca e intensa focada no crime.

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COMENTÁRIOS
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  1. jonas freitas

    Veja esse texto sobre o desarmamento:

    A opção pela enxada

    Escrito por Fabricio Rebelo | 20 Janeiro 2014
    Artigos – Desarmamento

    Sem armas para se defender, qualquer coisa serve para atacar, o que é comprovado pelos cada vez mais frequentes casos de crimes cometidos com os mais variados objetos. Facas, machados, martelos, pedras, garrafas, ou um guarda-chuva.

    Pedro Marangoni é, infelizmente, um personagem brasileiro pouco conhecido, um tipo de herói de guerras esquecido em tempos de paz e império do politicamente correto. Ex-piloto da FAB – Força Aérea Brasileira, integrou-se à Legião Estrangeira Francesa na década de setenta e, a partir daí, lutou em diversos conflitos no continente africano, sempre contra regimes ditatoriais. Sua história é contada no livro “A Opção pela Espada”, de sua autoria.

    Enquanto Marangoni conta uma briosa e corajosa história em seu livro, uma notícia recentemente veiculada na seção policial de alguns jornais nos remete a uma triste e vergonhosa realidade brasileira: o acovardamento da sociedade.

    O caso noticiado aconteceu em Uberaba, interior mineiro. Mais uma casa lotérica, cheia de clientes, foi assaltada. Até aí, nada de anormal, são milhares as ocorrências assim. O inusitado está na arma utilizada pelo assaltante: uma enxada.

    Por mais surreal que possa parecer, o assaltante chegou à lotérica em uma moto, com a enxada nas mãos. Se dirigiu ao caixa, arrombou uma porta e, ameaçando usar sua “arma” contra os presentes, levou o dinheiro que conseguiu. À exceção de um ou dois que saíram discretamente, os clientes acompanharam a ação estáticos, como se a “arma” do assaltante fosse de uma enorme letalidade em massa.

    A ação, filmada por câmeras de segurança que registram sem nada coibir, demonstra o quanto a sociedade está tomada pelo pânico. Não se raciocina mais sobre a efetividade ou extensão da ameaça, simplesmente há a rendição ao menor sinal de ataque. Não tarda e alguém vai conseguir roubar sob a grave ameaça de um grito – “passa a carteira ou eu vou gritar!”. É o comportamento que resulta da disseminação histérica do discurso de não reação, como se isso fosse garantia de sobrevivência – e não é, haja vista os inúmeros casos noticiados diariamente sobre latrocínios sem que a vítima sequer esboce reagir.

    O fato é que o medo está instalado, e uma população com medo aceita e cede a tudo. Cenário perfeito para a profusão do autoritarismo e a multiplicação incontrolável da violência.

    Há dez anos, o país elegeu as armas de fogo como vilãs da criminalidade e desarmou o cidadão, ao passo em que os bandidos, que pouco ligam para as leis, se armaram ainda mais. Sem armas para se defender, qualquer coisa serve para atacar, o que é comprovado pelos cada vez mais frequentes casos de crimes cometidos com os mais variados objetos. Facas, machados, martelos, pedras, garrafas, ou um guarda-chuva, qualquer coisa que se levante é o suficiente para paralisar cidadãos amedrontados. Para o bandido, é só fazer a opção; a do ladrão de Uberaba foi pela enxada.

    Fabricio Rebelo, bacharel em Direito, servidor do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, pesquisador em segurança pública e diretor nacional executivo na ONG Movimento Viva Brasil.

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  2. Roberto Theodosio Brandão

    O comentário do Sr.Jonas Freitas enfoca bem o problema. E digo baseado em relatórios de órgãos internacionais que os Países que adotaram o DESARMAMENTO da população civil multiplicaram os crimes. Os jovens são sabedores que se forem pegos pela Polícia vão reagir e morrer então vivem uma vida de alto luxo (com o dinheiro alheio)e estão pouco ligando para própria vida e é a juventude sem perspectiva e sem futuro brasileira. Nada disso me escandaliza e espero o pior. Num País onde DEUS é considerado um intruso não se pode esperar mais nada. O próprio governo da nação se declara o Brasil um País LAICO e dispensa a proteção divina não pode andar com suas próprias pernas. Sr.Jonas Freitas o senhor tem toda razão e foram sábias as suas palavras.

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  3. Glauco Buarque

    Dr. Flávio como sempre preciso. Trabalho ostensivamente e convivo com esses “vida loka”, que não tem um minimo de apego com sentimentos comuns de urbanidade e perspectivas de vida nenhuma.

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  4. Malu

    “Nós somos loucos e vivemos pouco, mas, o que vivemos queremos luxo e ostentação com o dinheiro dos outros”… Esta é a filosofia dos menores de 18 anos infratores matadores frios que a legislação brasileira insiste em achar que esta maldita legislação deverá continuar…

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