O ESTUPRO DO IPEA
   Flávio  Saraiva  │     9 de abril de 2014   │     8:07  │  3

ESTUPRONo final do mês em que é comemorado o dia internacional da mulher, o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada divulgou a nota técnica Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da saúde,  e errou feio, provocando a exoneração de seu diretor Rafael Guerreiro Osório. O instituto chegara a afirmar que 65% dos entrevistados concordavam total ou parcialmente com a frase “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. A pesquisa fora logo bombardeada por protestos que demonstraram a grandeza da indignação feminina. Dias depois o IPEA corrigira o resultado informando que o percentual correto era de 26%.

O “errinho” de  39% ofuscou outros números reveladores da pesquisa que objetivara traçar um perfil dos casos de estupro no Brasil, cerca de 527 mil/ano, sendo que apenas 10% chegam ao conhecimento da polícia, subnotificação logo explicada por outra constatação da pesquisa mostrando que 89% das vítimas são do sexo feminino, de baixa escolaridade, 70% são crianças e adolescentes que vão carregar as sequelas mutiladoras da autoestima.

Outros números. 50% das ocorrências que vitimam menores são precedidas de estupros anteriores, 24,1% dos agressores dessas crianças são os próprios pais ou padrastos, 32,2% são amigos ou conhecidos das vítimas, indicando que o criminoso está dentro de casa. O estupro seguido de morte da menina Tamires Érica Caroline da Silva, de apenas 7 anos de idade, ocorrido nesta semana no bairro do Benedito Bentes, comprova os indicativos da pesquisa, criança violentada por alguém que conhece e possivelmente confia.

No exercício de minha profissão investiguei alguns casos de estupro, sendo o de gestão mais difícil o que vitimara uma criança de 6 anos de idade, violentada pelo próprio pai no município de Piranhas. A equipe policial não dispunha de uma agente feminina ou alguém especializado para documentar o relato da monstruosidade, sem riscos de aumentar o sofrimento do pequenino ser. Experiência dolorosa sempre lembrada quando o assunto é discutido. Dois anos depois encontro o monstro pai já cumprindo pena em regime semiaberto. Coisas do nosso sistema legal.

Tags:, , ,

>Link  

COMENTÁRIOS
3

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. jonas freitas

    Veja esse texto do Reinaldo Azevedo:

    10/04/2014
    às 6:54

    O Ipea, o instituto que tentou fazer dos brasileiros um bando de potenciais estupradores, mantém um núcleo politicamente delinquente na Venezuela, que defende a ditadura e ataca a democracia… por princípio! Nós sustentamos essa vagabundagem intelectual!

    Pedro Silva Barros, o chefe do Ipea na Venezuela: edle gosta do bolvarianismo e acha que a democracia não está com nada. Grande pensador!
    Pedro Silva Barros, o chefe do Ipea na Venezuela: ele gosta do bolivarianismo e acha que a democracia não está com nada. Grande pensador! E ganha mais de US$ 12 mil por mês para isso!

    O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que já chegou a ser um centro de excelência no Brasil, não demonstra hoje a sua vagabundice teórica e prática apenas produzindo pesquisas imprestáveis e erradas. Vai muito além disso. Dedica-se também ao proselitismo esquerdopata mais asqueroso, à defesa da ditadura, ao achincalhamento da democracia e, acreditem!, a ataques às oposições da Venezuela e do Brasil. Sim, eu estou me referindo àquele instituto que acusou, na prática, os brasileiros — inclusive as mulheres — de simpatizantes do estupro ou, quem sabe?, de potenciais estupradores. Depois veio a público para dizer que seus números estavam errados, mas que suas conclusões estavam certas. De chorar!

    Poderia ter havido um lado positivo até: teve início um movimento das peladas, que resolveram escrever no corpo “Eu não mereço ser estuprada”. Muita pelada por nada! Os números reais evidenciavam, ao contrário do que se disse, que a esmagadora maioria dos brasileiros rejeitava frases machistas e sexistas sobre agressões às mulheres. Felizmente! Quanto ao peladismo, dizer o quê? Nesse caso, não foi diferente — sempre é assim quando se fica nu por razões políticas: quem vale a pena não tira a roupa, quem tira não vale a pena… Ainda está para surgir o casamento perfeito entre a causa de quem se despe e a causa de quem só olha. Em suma: o Ipea nos acusou de um bando de potenciais estupradores, e a gente, felizmente, não era. Que bom! Mas por que isso agora?

    Na Folha de hoje, há uma reportagem de Fabiano Maisonnave com informações verdadeiramente estarrecedoras. O Ipea tem uma filial na Venezuela desde 2010 — vocês sabem: um acordo entre Luiz Inácio Apedeuta da Silva e Hugo Chávez. É a única representação internacional do instituto. Como se sabe, o país está mergulhado numa crise econômica e política sem precedentes; a economia está quebrada; a violência literalmente corrói o tecido social. Falta de tudo: de comida a papel higiênico. O chavismo inferniza a vida dos venezuelanos em toda a sua, digamos, cadeia existencial… O Ipea, cuja vocação é fazer estudos macroeconômicos, deve estar cuidando disso, certo? Errado. Leiam o que informa a Folha:
    “Nestes quatro anos, a Venezuela tem sofrido uma deterioração contínua de sua economia. A inflação fechou o ano passado em 56%, há desabastecimento de produtos básicos e um mercado de câmbio descontrolado. Apesar da conjuntura, nos estudos produzidos sobre a Venezuela no período e enviados pelo Ipea à Folha via Lei de Acesso à Informação, os assuntos predominantes são cooperação da Venezuela com o norte do Brasil e o modelo político venezuelano. Os tom varia entre neutro e elogioso ao chavismo. Nos estudos sobre cooperação, problemas como insegurança jurídica ficam praticamente de fora, apesar do recente histórico de nacionalizações e do relativamente baixo investimento estrangeiro.”

    Informa ainda a reportagem: “A missão é chefiada pelo economista brasileiro Pedro Silva Barros, autor de textos no qual defende os governos de Chávez e o de seu sucessor, Nicolás Maduro, e critica a oposição venezuelana.” O tal Barros é um colaborador do site esquerdista “Carta Maior”. Vale dizer: não é um economista, mas um militante do PT. Vive bem por lá: tem um salário de US$ 12.291, superior ao de qualquer professor universitário no Brasil.

    O Ipea da Venezuela é capaz de escrever coisas como esta:
    “O modelo bolivariano afasta-se, sem dúvidas, da democracia representativa despolitizadora que predomina ainda hoje no mundo. Supera o modelo idealizado pelos pais fundadores da república norte-americana”.

    Entenderam? Temos no Ipea da Venezuela gente que odeia a “democracia despolitizadora”. O instituto gosta mesmo é do bolivarianismo politizador, que persegue a imprensa, que confere ao governo o monopólio do acesso à radiodifusão, que põe milícias armadas nas ruas para enfrentar os opositores a bala, que frauda eleições.

    Em suma, o que se tem lá é um pouco do lixo mental brasileiro. Na sexta, conversava com amigos aqui em casa. Um deles me disse que discordava de certa abordagem que eu fazia porque, às vezes, ficava parecendo que os petistas eram Pol Pot. Ponderei que não são, claro! Mas não porque não queiram ou não quisessem, mas porque não podem. E quem não permite que sejam somos nós.

    O Ipea da Venezuela é a prova disso. Onde eles podem defender um governo de força, que elimina os adversários na base da bala e da porrada, eles o fazem sem pestanejar.

    Sobre a recente visita da deputada oposicionista María Corina Machado ao Brasil, escreveu o tal Barros: “[O senador tucano] Aécio Neves a saudou como representante da voz das barricadas, legitimando a violência que levou a morte de quase 40 venezuelanos.” Trata-se de mais uma delinquência política. A esmagadora maioria dos mortos é constituída de opositores, assassinados pelas milícias chavistas armadas, defendidas pelo Ipea.

    Quem botou o rapaz lá foi Márcio Pochmann, o petista que transformou o instituto no braço mais burro do partido — sim, há profissionais competentes que ainda estão no instituto. O atual presidente é Marcelo Neri. Ainda não acabou com aquela sem-vergonhice por quê? Das duas uma: ou concorda ou, não concordando, não tem poder para fechar aquela porcaria ou substituir os quadros. Nesse caso, se não pede a conta, então é conivente.
    Por Reinaldo Azevedo

    Reply
  2. Lucas Tenório

    Bando de bandidos que só tem um objetivo,o poder a qualquer custo,foi assim na ocasião do mensalão que foi nada mais e nada menos que corromper ou seja pagar os deputados para aceitarem tudo que a presidencia da república PETISTA governe soberanamente ,tudo isso com o dinheiro da publicidade que banca a imprensa mobilizada aplaudindo os petralhas.
    Golpe puro maquiavélico pois para o PT tudo justifica desde que permaneçam no poder implantando um sistema ditatorial bolivariano.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *